Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2019
Uma doença tem distribuição bimodal, afetando adultos jovens, com um segundo pico de incidência aos setenta anos de idade. Apresenta prevalência particularmente aumentada em judeus asquenazes e acomete mais comumente o íleo distal e o cólon proximal. O tabagismo associa-se a um pior prognóstico. Os anti-inflamatórios não hormonais parecem estar associados a exacerbações. Assinale a alternativa correta com relação à doença caracterizada no texto acima.
Doença de Crohn = DII bimodal, íleo distal/cólon proximal, piora com tabagismo/AINEs, maior prevalência em judeus asquenazes.
A descrição da questão é clássica da Doença de Crohn, uma doença inflamatória intestinal (DII). Suas características incluem distribuição bimodal de idade (adultos jovens e idosos), predileção pelo íleo distal e cólon proximal, associação com tabagismo (pior prognóstico) e exacerbações por AINEs, além de maior prevalência em populações específicas como judeus asquenazes.
A Doença de Crohn é uma doença inflamatória intestinal (DII) crônica, idiopática, caracterizada por inflamação transmural e segmentar que pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal, da boca ao ânus. Sua epidemiologia é peculiar, apresentando uma distribuição bimodal, com picos de incidência em adultos jovens (15-30 anos) e um segundo pico em idosos (60-70 anos). Há uma prevalência aumentada em certas populações, como os judeus asquenazes, sugerindo um componente genético significativo. As manifestações clínicas são variadas e dependem da localização e extensão da doença. Sintomas comuns incluem dor abdominal, diarreia crônica (muitas vezes sem sangue visível), perda de peso, febre e fadiga. A doença de Crohn é frequentemente associada a complicações como fístulas, estenoses, abscessos e manifestações extraintestinais (artrite, eritema nodoso, uveíte). O tabagismo é um fator de risco importante, associado a um pior prognóstico e maior taxa de recidivas, enquanto os anti-inflamatórios não hormonais (AINEs) podem precipitar exacerbações. O diagnóstico da Doença de Crohn envolve uma combinação de achados clínicos, laboratoriais (marcadores inflamatórios), endoscópicos (colonoscopia com biópsias, enteroscopia), radiológicos (enterografia por TC ou RM) e histopatológicos. O tratamento é individualizado e visa induzir e manter a remissão, prevenir complicações e melhorar a qualidade de vida. Inclui medicamentos como aminosalicilatos, corticosteroides, imunomoduladores (azatioprina, metotrexato) e agentes biológicos (anti-TNF, anti-integrinas).
A Doença de Crohn pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal, da boca ao ânus, mas as localizações mais comuns são o íleo distal e o cólon proximal. A inflamação é transmural e segmentar, com áreas de intestino saudável intercaladas.
O tabagismo é um fator de risco bem estabelecido para a Doença de Crohn, associando-se a um maior risco de desenvolvimento da doença, maior gravidade, maior taxa de recidivas e pior resposta ao tratamento.
Os AINEs podem exacerbar a inflamação intestinal em pacientes com Doença de Crohn, precipitando surtos ou piorando os sintomas. Eles podem aumentar a permeabilidade intestinal e induzir inflamação da mucosa.
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