IDPC/Dante Pazzanese - Instituto de Cardiologia (SP) — Prova 2025
Mulher, de 18 anos de idade, previamente hígida, procura pronto atendimento por dor abdominal difusa associada a náuseas, vômitos e parada de eliminação de fezes e flatos há dois dias. Relata episódios de dor abdominal em cólica há 6 meses, associada a diarreia com muco. Nega febre. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, desidratada 1+/4+, estável hemodinamicamente, com abdome distendido, ruídos hidroaéreos aumentados, flácido, doloroso à palpação difusamente, sem sinais de irritação peritoneal. Os exames laboratoriais estão normais e a tomografia computadorizada de abdome total evidenciou distensão de alças intestinais, com múltiplos pontos de redução de calibre em topografia jejunal e ileal, associada a ingurgitamento dos vasos mesenteriais. Qual é a principal hipótese diagnóstica para essa paciente?
Dor abdominal + diarreia + obstrução em jovem sem cirurgia prévia → Pensar em Doença de Crohn.
A Doença de Crohn é uma DII transmural que pode causar estenoses multifocais (skip lesions), levando a quadros de suboclusão intestinal recorrente e sinais inflamatórios na TC.
A Doença de Crohn caracteriza-se por uma inflamação granulomatosa transmural e descontínua. O quadro clínico de dor em cólica crônica e diarreia com muco em paciente jovem é altamente sugestivo de DII. A tomografia computadorizada com múltiplos pontos de redução de calibre e ingurgitamento vascular (sinal do pente) confirma o padrão estenosante e a atividade inflamatória da doença, diferenciando-a de processos puramente mecânicos ou vasculares agudos.
Os achados incluem espessamento parietal segmentar, realce estratificado da mucosa (sinal do alvo), ingurgitamento dos vasos vasa recta (sinal do pente), gordura mesentérica proeminente e áreas de estenose com dilatação a montante.
A Doença de Crohn é transmural, pode afetar qualquer segmento do TGI (boca ao ânus) e apresenta lesões salteadas. A RCU é restrita à mucosa, contínua a partir do reto e limitada ao cólon.
O manejo inicial costuma ser conservador com jejum, descompressão gástrica e corticoterapia para reduzir o componente inflamatório da estenose, reservando a cirurgia para casos refratários ou complicações.
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