UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2024
Homem, 24 anos de idade, apresenta dor abdominal diária e diarreia de 2 a 3 evacuações pastosas ao dia iniciadas há 1 ano, com perda de 7 kg no período. Exame físico: emagrecido, descorado ++/4+; presença de orifício em região anal com saída de secreção amarelada. Qual é o diagnóstico mais provável?
Dor abdominal crônica + diarreia + perda peso + fístula perianal → Doença de Crohn.
A Doença de Crohn é uma doença inflamatória intestinal crônica que pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal, da boca ao ânus, de forma segmentar e transmural. A presença de manifestações perianais, como fístulas, abscessos ou fissuras complexas, é altamente sugestiva de Crohn, especialmente em pacientes jovens com sintomas gastrointestinais crônicos.
A Doença de Crohn é uma das principais formas de Doença Inflamatória Intestinal (DII), uma condição crônica e recidivante que causa inflamação do trato gastrointestinal. Afeta predominantemente adultos jovens, com pico de incidência entre 15 e 30 anos. Sua etiologia é multifatorial, envolvendo fatores genéticos, ambientais e imunológicos. Clinicamente, a Doença de Crohn se manifesta com dor abdominal crônica (geralmente no quadrante inferior direito), diarreia (muitas vezes sem sangue macroscópico), perda de peso, febre e fadiga. Uma característica distintiva é a inflamação transmural, que pode levar a complicações como estenoses, fístulas (enteroentéricas, enterocutâneas, perianais) e abscessos. As lesões perianais, como fístulas e abscessos, são altamente sugestivas de Crohn e ocorrem em até 30-50% dos pacientes. O diagnóstico da Doença de Crohn é baseado em uma combinação de achados clínicos, endoscópicos (colonoscopia com ileoscopia), radiológicos (enterografia por TC ou RM) e histopatológicos (biópsias mostrando inflamação transmural e granulomas não caseosos). O tratamento visa induzir e manter a remissão, controlar os sintomas e prevenir complicações, utilizando medicamentos como aminosalicilatos, corticosteroides, imunomoduladores e agentes biológicos.
A Doença de Crohn pode afetar qualquer parte do TGI de forma segmentar e transmural, com granulomas não caseosos e lesões perianais. A Retocolite Ulcerativa afeta apenas o cólon e reto de forma contínua e superficial, sem granulomas ou lesões perianais primárias.
Exames incluem colonoscopia com biópsias (mostrando inflamação transmural, granulomas), enterografia por TC ou RM (para avaliar intestino delgado), exames de fezes (para excluir infecções), marcadores inflamatórios (PCR, VHS) e calprotectina fecal.
As manifestações extraintestinais incluem artrite (periférica e axial), eritema nodoso, pioderma gangrenoso, uveíte, colangite esclerosante primária (mais comum na RCU, mas pode ocorrer), e cálculos renais ou biliares.
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