UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2024
Homem de 24 anos, com doença de Crohn em tratamento com infliximabe, é internado com pneumaturia. Os exames complementares mostram a presença de fístula íleo vesical distando 50cm da valva ileocecal. O tratamento nesse caso deve ser realizado com:
Fístula ileovesical no Crohn → Ressecção do segmento doente + sutura primária da bexiga.
Fístulas enterovesicais na Doença de Crohn originam-se no íleo terminal. O tratamento cirúrgico foca na ressecção do intestino doente, pois a bexiga é apenas um órgão espectador.
As fístulas são complicações comuns do fenótipo penetrante da Doença de Crohn, ocorrendo em cerca de 20-30% dos pacientes. A fístula ileovesical ocorre pela proximidade do íleo terminal inflamado com a cúpula vesical. O tratamento cirúrgico é mandatório devido ao risco de infecções urinárias de repetição e danos renais. A técnica consiste na ressecção do segmento intestinal acometido (enterectomia segmentar) e desbridamento com sutura primária do orifício vesical, que costuma cicatrizar bem uma vez removido o estímulo inflamatório do intestino.
A pneumatúria (passagem de gás na urina) e a fecalúria (fezes na urina) são sinais clássicos e altamente sugestivos de uma comunicação anormal entre o trato gastrointestinal e a bexiga.
Na Doença de Crohn, o segmento intestinal apresenta inflamação transmural e é a fonte primária da fístula. A simples sutura sem a ressecção do foco inflamatório intestinal leva à falha do fechamento e recidiva imediata.
Embora os biológicos sejam eficazes em fístulas perianais, fístulas entero-viscerais (como a ileovesical) raramente fecham apenas com tratamento clínico, sendo a cirurgia o tratamento definitivo indicado para evitar urossepses.
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