INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2021
Uma mulher de 22 anos de idade foi encaminhada ao serviço de oftalmologia devido à episódio de olho vermelho, o qual o médico oftalmologista diagnosticou uma uveíte anterior aguda. Questionando a paciente, o médico identificou história de aftas orais recorrentes e dolorosas há pelo menos 1 ano para as quais não foi realizada nenhuma investigação, fazendo uso apenas de corticoides tópicos, com alívio fugaz. Relata, ainda, que apresenta dor abdominal e diarreia, mais ou menos, no mesmo período. Refere que as evacuações são frequentes, cerca de 5 a 6 vezes por dia, em pequeno volume e com sangue e muco visíveis em algumas ocasiões. Visando ao esclarecimento diagnóstico, o procedimento a ser adotado e o achado esperado, devem ser
Uveíte + aftas + diarreia sanguinolenta → suspeitar DII (Crohn). Investigar com colonoscopia e biópsia.
A associação de uveíte anterior aguda, aftas orais recorrentes e sintomas gastrointestinais como dor abdominal e diarreia com sangue e muco é altamente sugestiva de Doença Inflamatória Intestinal (DII), especialmente Doença de Crohn. A investigação diagnóstica padrão ouro inclui colonoscopia com biópsia, que pode revelar granulomas não caseosos, característicos da Doença de Crohn.
A Doença de Crohn é uma doença inflamatória intestinal crônica que pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal, da boca ao ânus, e é caracterizada por inflamação transmural e segmentar. Sua epidemiologia tem aumentado globalmente, e o diagnóstico precoce é crucial para evitar complicações. É fundamental que o médico esteja atento às manifestações extraintestinais, que podem preceder ou acompanhar os sintomas gastrointestinais, como a uveíte e as aftas orais, guiando a investigação para um diagnóstico sistêmico. A fisiopatologia envolve uma interação complexa entre fatores genéticos, ambientais e imunológicos, resultando em uma resposta imune desregulada contra a microbiota intestinal. O diagnóstico é estabelecido pela combinação de achados clínicos, laboratoriais, endoscópicos (colonoscopia com ileoscopia) e histopatológicos. A presença de granulomas não caseosos na biópsia é um achado patognomônico, embora não esteja presente em todos os casos. A suspeita deve surgir diante de sintomas gastrointestinais crônicos associados a manifestações sistêmicas. O tratamento da Doença de Crohn é complexo e visa induzir e manter a remissão, prevenir complicações e melhorar a qualidade de vida do paciente. Inclui medicamentos como aminosalicilatos, corticosteroides, imunomoduladores e agentes biológicos. Em alguns casos, a intervenção cirúrgica pode ser necessária. O prognóstico varia, mas o manejo multidisciplinar é essencial para um bom desfecho, e o residente deve estar apto a reconhecer os sinais e sintomas para um encaminhamento e tratamento adequados.
As manifestações extraintestinais da Doença de Crohn são diversas e podem incluir artrite, eritema nodoso, pioderma gangrenoso, uveíte, espondilite anquilosante e colangite esclerosante primária, afetando múltiplos sistemas orgânicos.
Deve-se suspeitar de Doença de Crohn em pacientes com uveíte anterior aguda, especialmente se houver história de aftas orais recorrentes, dor abdominal crônica, diarreia, perda de peso ou sangramento gastrointestinal. A investigação sistêmica é fundamental.
Na biópsia de cólon, o achado histopatológico mais característico da Doença de Crohn é a presença de granulomas não caseosos. Outros achados incluem inflamação transmural, fissuras e úlceras profundas.
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