Doença de Crohn: Diagnóstico Endoscópico e Clínico

Grupo OPTY - Rede de Oftalmologia — Prova 2025

Enunciado

Victória, 28 anos, apresenta queixas de dor abdominal intermitente há seis meses, acompanhada de diarreia frequente, às vezes com presença de sangue nas fezes. Ela relata episódios de febre baixa e perda de peso de cerca de 5 kg no último mês. A dor abdominal é mais intensa no quadrante inferior direito e está associada à ingestão de alimentos. Maria também menciona fadiga constante e episódios de náusea. Ao exame físico, observa-se sensibilidade abdominal difusa, sem defesa ou rigidez. Ela não apresenta alterações significativas nos sinais vitais. Os exames laboratoriais mostram anemia leve e elevação de marcadores inflamatórios. A característica mais compatível com a Doença de Crohn (DC), com base no caso clínico apresentado, é:

Alternativas

  1. A) Presença de úlceras aftoides e aspecto em paralelepípedo.
  2. B) Acometimento contínuo do cólon.
  3. C) Comprometimento exclusivamente do reto.
  4. D) Sintomas exclusivamente esofágicos.

Pérola Clínica

Doença de Crohn → inflamação transmural, acometimento segmentar, úlceras aftoides e aspecto em paralelepípedo.

Resumo-Chave

A Doença de Crohn é caracterizada por inflamação transmural e descontínua do trato gastrointestinal, podendo afetar qualquer segmento da boca ao ânus. Achados endoscópicos típicos incluem úlceras aftoides e o padrão "em paralelepípedo" devido a fissuras longitudinais e edema transversal da mucosa.

Contexto Educacional

A Doença de Crohn (DC) é uma doença inflamatória intestinal crônica e idiopática que pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal, da boca ao ânus. É mais comum em adultos jovens e adolescentes, com uma prevalência crescente globalmente. A compreensão de suas manifestações clínicas e achados endoscópicos é crucial para o diagnóstico precoce e manejo adequado, impactando significativamente a qualidade de vida dos pacientes. A fisiopatologia da DC envolve uma resposta imune desregulada em indivíduos geneticamente predispostos, desencadeada por fatores ambientais. Clinicamente, os pacientes podem apresentar dor abdominal, diarreia (muitas vezes com sangue), perda de peso, febre, fadiga e manifestações extraintestinais. O diagnóstico é estabelecido pela combinação de achados clínicos, laboratoriais (marcadores inflamatórios elevados, anemia), radiológicos e, principalmente, endoscópicos e histopatológicos. A endoscopia com biópsia revela inflamação transmural, úlceras aftoides, úlceras lineares e o característico aspecto em "paralelepípedo". O tratamento da Doença de Crohn visa induzir e manter a remissão, aliviar os sintomas, prevenir complicações e melhorar a qualidade de vida. Inclui medicamentos como aminosalicilatos, corticosteroides, imunomoduladores (azatioprina, metotrexato) e agentes biológicos (anti-TNF, anti-integrinas). Em casos de complicações como estenoses, fístulas ou falha do tratamento clínico, a intervenção cirúrgica pode ser necessária. O acompanhamento regular é essencial para monitorar a atividade da doença e ajustar a terapia.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados endoscópicos da Doença de Crohn?

Os achados endoscópicos característicos da Doença de Crohn incluem úlceras aftoides, úlceras lineares profundas, fissuras, estenoses e o padrão "em paralelepípedo" (cobblestone appearance), que reflete edema e inflamação da mucosa.

Como diferenciar a Doença de Crohn da Retocolite Ulcerativa?

A Doença de Crohn pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal de forma segmentar e transmural, enquanto a Retocolite Ulcerativa acomete o cólon e reto de forma contínua e superficial. A presença de granulomas não caseosos é patognomônica de Crohn.

Quais sintomas sugerem Doença de Crohn em um paciente jovem?

Sintomas como dor abdominal crônica (especialmente em QID), diarreia (com ou sem sangue), perda de peso inexplicada, febre baixa, fadiga e manifestações extraintestinais (artralgia, eritema nodoso) devem levantar a suspeita de Doença de Crohn.

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