TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2025
Em um paciente com diagnóstico de doença de Chagas confirmado em sua fase crônica, qual dos achados abaixo é suficiente para fazer o diagnóstico da forma cardíaca?
BRD + BDAS ou alteração segmentar em paciente chagásico = Forma Cardíaca.
Na fase crônica da doença de Chagas, qualquer evidência de dano estrutural ou elétrico cardíaco (arritmias, bloqueios ou disfunção ventricular) define a forma cardíaca.
A doença de Chagas, causada pelo Trypanosoma cruzi, possui uma fase crônica que pode se manifestar sob as formas indeterminada, cardíaca, digestiva ou mista. A forma cardíaca é a manifestação clínica mais grave e frequente, ocorrendo em cerca de 20% a 30% dos indivíduos infectados. O diagnóstico desta forma baseia-se na detecção de anormalidades no sistema de condução ou no miocárdio através de exames complementares. Clinicamente, a progressão da cardiopatia chagásica pode levar à insuficiência cardíaca congestiva, arritmias complexas e fenômenos tromboembólicos. A identificação precoce de bloqueios de ramo ou alterações segmentares no ecocardiograma é crucial para o estadiamento e para a implementação de terapias que visam reduzir a morbimortalidade, como o uso de IECA, betabloqueadores e, em casos selecionados, o tratamento etiológico com benzonidazol para evitar a progressão da doença.
Os achados eletrocardiográficos mais típicos e precoces na cardiopatia chagásica crônica incluem o bloqueio completo do ramo direito (BRD), frequentemente associado ao bloqueio divisional anterossuperior esquerdo (BDAS). Outras alterações comuns são as extrassístoles ventriculares, bradicardia sinusal, bloqueios atrioventriculares de diversos graus e alterações da repolarização ventricular. A presença de qualquer uma dessas alterações em um paciente soropositivo para T. cruzi é indicativa de comprometimento cardíaco e define a forma cardíaca da doença.
O ecocardiograma é fundamental para detectar alterações estruturais e funcionais. Na doença de Chagas, é comum encontrar alterações da contratilidade segmentar, com predileção pela parede ínfero-lateral e pelo ápice do ventrículo esquerdo (onde pode se formar o clássico aneurisma apical). Além disso, o exame pode revelar disfunção sistólica global, aumento das cavidades cardíacas e presença de trombos intracavitários. Qualquer um desses achados em paciente com sorologia positiva confirma o diagnóstico da forma cardíaca.
A forma indeterminada é definida por: 1) Sorologia positiva para T. cruzi; 2) Ausência de sintomas; 3) Eletrocardiograma (ECG) convencional normal; 4) Estudo radiológico de tórax, esôfago e cólon normais (embora hoje se utilize mais a clínica e ECG). Se o paciente apresentar qualquer alteração no ECG ou evidência de dano cardíaco/digestivo nos exames de imagem, ele deixa de ser classificado como forma indeterminada e passa para a forma cardíaca, digestiva ou mista.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo