UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2021
Durante uma reunião de equipe em uma Unidade Básica de Saúde sobre Doenças de Chagas, incluindo seus aspectos epidemiológicos e ações possíveis de serem planejadas pela equipe de saúde na Atenção Primária, membros da equipe manifestaram as seguintes frases:I. A preconização com relação à doença de Chagas determina que esta deve ser tratada na atenção especializada por profissionais de saúde treinados e que possuam tecnologia adequada.II. Os movimentos das pessoas nos territórios e entre territórios diferentes devem ser considerados, seja do passado e do presente, para uma análise mais adequada sobre o risco para a doença de Chagas.III. A doença de Chagas é reconhecida na maioria dos casos por limitar o desempenho do trabalho profissional e a vida social com grande impacto em aposentadorias concedidas.IV. Em caso de confirmação ou existência de caso atual ou anterior na área adscrita é fundamental realizar a busca ativa de possíveis casos crônicos em familiares e na rede de contatos sociais.V. Como doença que compõe o grupo das negligenciadas, a doença de Chagas é causa e consequência da pobreza estrutural de pessoas, famílias e comunidades, perpetuando a vulnerabilidade existente.VI. A doença de Chagas é considerada uma condição infecciosa aguda, com elevada carga de doença na população e baixa mortalidade específica no Brasil e em outros países endêmicos.Ao olhar atento dos parceiros de equipe, observou-se que há considerações corretas e incorretas entre estas, de forma que a equipe precisa reforçar o aprendizado sobre a doença para tomar as decisões mais apropriadas. Entre as frases mencionadas, estão corretas:
Chagas na APS: busca ativa, atenção à mobilidade populacional e impacto social são cruciais.
A Doença de Chagas é uma doença negligenciada com forte componente social e epidemiológico. A Atenção Primária à Saúde tem papel fundamental na busca ativa de casos, no rastreamento de contatos e no acompanhamento, considerando a mobilidade populacional e o impacto crônico da doença.
A Doença de Chagas, causada pelo parasita Trypanosoma cruzi, é uma doença infecciosa endêmica em várias regiões da América Latina, com crescente importância em áreas não endêmicas devido à migração. É um protótipo de doença negligenciada, refletindo desigualdades sociais e econômicas. A doença apresenta uma fase aguda (geralmente assintomática ou com sintomas inespecíficos) e uma fase crônica, que pode ser indeterminada (assintomática) ou determinada, com manifestações cardíacas (cardiomiopatia chagásica) ou digestivas (megaesôfago, megacólon). O diagnóstico é sorológico na fase crônica. O manejo da Doença de Chagas na Atenção Primária é fundamental. Inclui a identificação de áreas de risco, busca ativa de casos (especialmente em familiares de indivíduos infectados), aconselhamento, e encaminhamento para tratamento específico (Benznidazol ou Nifurtimox) e acompanhamento das complicações. A prevenção da transmissão vertical é uma prioridade.
As principais formas de transmissão são vetorial (pelo barbeiro), transfusional, transplante de órgãos, oral (alimentos contaminados) e vertical (da mãe para o filho durante a gestação ou parto).
A APS é crucial na vigilância epidemiológica, busca ativa de casos (especialmente em familiares de casos conhecidos), diagnóstico precoce, acompanhamento de casos crônicos e educação em saúde para prevenção.
É negligenciada por afetar principalmente populações pobres e vulneráveis, com pouca pesquisa e desenvolvimento de novos tratamentos, e por ser frequentemente esquecida nas agendas de saúde pública global.
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