Doença de Chagas: Impacto no Sistema Gastrointestinal

HFASP - Hospital de Força Aérea de São Paulo — Prova 2021

Enunciado

O plexo mioentérico (Auerbach) é a estrutura mais atingida pelo processo inflamatório desencadeado pela infecção pelo Trypanosoma cruzi, a chamada Doença de Chagas, com destruição de neurônios. Quais são as alterações esperadas no Sistema Gastrointestinal?

Alternativas

  1. A) Incoordenação motora pela excitação do músculo liso, retenção de alimentos no esôfago e de fezes no reto. O impacto maior é sentido no esôfago e cólon distal.
  2. B) Relaxamento do esfíncter do esôfago e passagem mais rápida do alimento para o estômago, facilitando a digestão.
  3. C) Coordenação motora da musculatura lisa e aumento da peristalse no intestino, em especial no relaxamento do esfíncter do cólon distal.
  4. D) Aumento da secreção de ácido clorídrico e da secreção pelo pâncreas para aumentar a digestão e absorção de nutrientes.

Pérola Clínica

Doença de Chagas → destruição plexo mioentérico → incoordenação motora GI → megaesôfago e megacólon.

Resumo-Chave

Na Doença de Chagas, a destruição dos neurônios do plexo mioentérico de Auerbach pelo Trypanosoma cruzi leva à perda da inervação parassimpática e à disfunção motora do trato gastrointestinal. Isso resulta em dilatação e estase, principalmente no esôfago (megaesôfago) e no cólon distal (megacólon), com sintomas como disfagia e constipação.

Contexto Educacional

A Doença de Chagas, causada pelo parasita Trypanosoma cruzi, é uma doença tropical negligenciada com manifestações sistêmicas, sendo as formas cardíaca e gastrointestinal as mais graves na fase crônica. A forma gastrointestinal é caracterizada pela destruição progressiva dos neurônios do plexo mioentérico (Auerbach) e submucoso (Meissner) no trato digestivo, levando a distúrbios de motilidade e dilatação de órgãos ocos, principalmente esôfago e cólon. A fisiopatologia central envolve a denervação parassimpática, que resulta em incoordenação motora do músculo liso gastrointestinal. No esôfago, isso se manifesta como acalasia chagásica, com falha no relaxamento do esfíncter esofágico inferior e aperistalse do corpo esofágico, levando à retenção de alimentos e dilatação progressiva (megaesôfago). No cólon, a denervação afeta predominantemente o cólon distal e o reto, causando trânsito lento, acúmulo de fezes e dilatação (megacólon). As alterações esperadas incluem incoordenação motora, retenção de alimentos no esôfago (disfagia, regurgitação) e de fezes no reto (constipação crônica e grave). O diagnóstico é clínico, radiológico (esofagograma, enema opaco) e sorológico para Chagas. O tratamento é sintomático para as formas digestivas avançadas, podendo incluir dilatações endoscópicas, miotomia de Heller para megaesôfago e cirurgia para megacólon.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais manifestações gastrointestinais da Doença de Chagas?

As principais manifestações são o megaesôfago e o megacólon. O megaesôfago causa disfagia, regurgitação e dor torácica, enquanto o megacólon leva à constipação crônica grave, dor abdominal e, em casos avançados, volvo.

Como a infecção por Trypanosoma cruzi afeta o trato gastrointestinal?

O Trypanosoma cruzi destrói os neurônios do plexo mioentérico de Auerbach, que são responsáveis pela coordenação da motilidade gastrointestinal. Essa denervação leva à perda do tônus e da peristalse coordenada, resultando em dilatação e estase de órgãos ocos.

Quais são os mecanismos fisiopatológicos do megaesôfago e megacólon chagásicos?

No megaesôfago, a destruição neuronal causa falha no relaxamento do esfíncter esofágico inferior e incoordenação da peristalse esofágica, levando à retenção alimentar e dilatação. No megacólon, a denervação afeta a motilidade do cólon distal, resultando em trânsito lento, acúmulo de fezes e dilatação progressiva.

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