HSLRP - Hospital São Luiz Rede D'Or Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021
Criança de 2 anos é trazida ao seguimento de puericultura. Mãe queixa-se de que criança tem apresentado nos últimos meses diarreias frequentes sem sangue, e distensão abdominal ocasional, mais frequentes quando criança come pães e massas. Exame físico sem alterações, exceto por você ter notado que criança teve perda ponderai e baixo crescimento nos últimos seis meses, sendo que antes apresentava-se em p50 de peso e estatura, e agora apresenta-se em p10 de peso e estatura. A respeito da principal hipótese diagnóstica para o quadro, assinale a alternativa correta:
Diarreia crônica + distensão + perda ponderal + baixo crescimento + consumo de glúten em criança = suspeitar de Doença Celíaca; esteatócrito e xilosemia corroboram.
O quadro clínico de diarreia crônica, distensão abdominal, perda ponderal e baixo crescimento em uma criança de 2 anos, com piora associada ao consumo de pães e massas (glúten), é altamente sugestivo de Doença Celíaca. A presença de esteatócrito positivo (indicando má absorção de gordura) e xilosemia baixa (indicando má absorção de carboidratos) são testes que corroboram a hipótese diagnóstica de má absorção intestinal.
A Doença Celíaca é uma enteropatia crônica autoimune desencadeada pela ingestão de glúten em indivíduos geneticamente predispostos. Em crianças, a apresentação clínica pode ser variada, desde formas clássicas com má absorção evidente até formas atípicas com sintomas mais sutis ou predominantemente extra-intestinais. É uma condição importante a ser considerada no diagnóstico diferencial de diarreia crônica e falha de crescimento. A fisiopatologia envolve uma resposta imune mediada por células T à gliadina (componente do glúten), resultando em inflamação e dano à mucosa do intestino delgado. Isso leva à atrofia das vilosidades, comprometendo a área de superfície para absorção de nutrientes. Os sintomas como diarreia, distensão abdominal, perda ponderal e baixo crescimento são diretos da má absorção. A suspeita clínica é fundamental, especialmente em crianças com história de consumo de glúten e sintomas gastrointestinais ou nutricionais. O diagnóstico da Doença Celíaca é complexo e envolve uma combinação de achados clínicos, sorológicos (anticorpos antitransglutaminase IgA, antiendomísio IgA) e histológicos (biópsia de intestino delgado). Testes funcionais de má absorção, como o esteatócrito e a xilosemia, podem corroborar a suspeita. O tratamento consiste na exclusão rigorosa do glúten da dieta, o que leva à recuperação da mucosa intestinal e melhora clínica. É crucial não iniciar a dieta sem glúten antes da confirmação diagnóstica para não mascarar os resultados dos exames.
Em crianças pequenas, a Doença Celíaca manifesta-se tipicamente com diarreia crônica, distensão abdominal, dor abdominal, vômitos, irritabilidade, perda ponderal e baixo crescimento, além de anemia e deficiências vitamínicas.
Além dos testes sorológicos como antitransglutaminase IgA e antiendomísio IgA, exames que indicam má absorção, como esteatócrito positivo (gordura nas fezes) e xilosemia baixa (teste de absorção de D-xilose), corroboram o diagnóstico. A biópsia intestinal é o padrão ouro.
A biópsia do intestino delgado, que revela atrofia das vilosidades, hiperplasia das criptas e aumento de linfócitos intraepiteliais, é considerada o padrão ouro para o diagnóstico definitivo da Doença Celíaca, confirmando as alterações histológicas características.
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