FELUMA/FCM-MG - Fundação Educacional Lucas Machado - Ciências Médicas (MG) — Prova 2023
Paciente do sexo feminino, 23 anos de idade, comparece ao ambulatório com quadro de diarreia crônica com gordura nas fezes, emagrecimento, anemia ferropriva de longa data. Relata sintomas piores com a ingestão de alimentos com glúten. É portadora de Tireoidite de Hashimoto, bem controlada com levotiroxina. Com relação ao diagnóstico do quadro clínico descrito acima, assinale a alternativa CORRETA que apresenta qual exame laboratorial possui a maior especificidade.
Doença Celíaca: Anti-endomísio IgA (EMA) = maior especificidade diagnóstica.
Em pacientes com suspeita de Doença Celíaca, o anticorpo anti-endomísio IgA (EMA) é o marcador sorológico com maior especificidade, embora o anti-transglutaminase IgA (anti-tTG IgA) seja mais sensível e amplamente utilizado como triagem inicial. A biópsia intestinal continua sendo o padrão-ouro para confirmação.
A Doença Celíaca é uma enteropatia autoimune desencadeada pela ingestão de glúten em indivíduos geneticamente predispostos. Caracteriza-se por uma inflamação crônica da mucosa do intestino delgado, levando à atrofia das vilosidades e má absorção de nutrientes. Os sintomas podem ser variados, desde manifestações gastrointestinais clássicas como diarreia crônica e esteatorreia, até sintomas extraintestinais como anemia ferropriva, osteoporose, infertilidade e doenças autoimunes associadas, como a Tireoidite de Hashimoto. O diagnóstico da Doença Celíaca envolve uma combinação de achados clínicos, sorológicos e histopatológicos. Os principais marcadores sorológicos são os anticorpos IgA anti-transglutaminase tecidual (anti-tTG IgA) e anti-endomísio (EMA IgA). O anti-tTG IgA é geralmente o teste de triagem inicial devido à sua alta sensibilidade, enquanto o EMA IgA, embora um pouco menos sensível, possui a maior especificidade, sendo um marcador mais confirmatório. É crucial que o paciente esteja consumindo glúten no momento da testagem para evitar resultados falso-negativos. Uma vez que a suspeita clínica e sorológica é forte, a confirmação diagnóstica é feita por biópsia do intestino delgado, que demonstra as alterações histopatológicas características. O tratamento consiste em uma dieta rigorosa e permanente sem glúten, o que leva à recuperação da mucosa intestinal e remissão dos sintomas. A adesão à dieta é fundamental para prevenir complicações a longo prazo, como deficiências nutricionais e aumento do risco de linfoma intestinal.
Os sintomas clássicos incluem diarreia crônica, esteatorreia, perda de peso, anemia ferropriva refratária, fadiga e dor abdominal. Manifestações atípicas são comuns.
Há uma associação conhecida entre Doença Celíaca e outras doenças autoimunes, como a Tireoidite de Hashimoto, sugerindo uma predisposição genética comum e a necessidade de rastreamento mútuo.
A biópsia do intestino delgado (duodeno) é considerada o padrão-ouro para o diagnóstico da Doença Celíaca, revelando atrofia das vilosidades, hiperplasia das criptas e aumento de linfócitos intraepiteliais.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo