Doença Celíaca: Padrão-Ouro e Diagnóstico Preciso

UFGD/HU - Hospital Universitário de Dourados (MS) — Prova 2021

Enunciado

Paciente do sexo feminino, 22 anos, queixando-se de diarreia e distensão abdominal relacionadas à ingestão de glúten, recebeu o diagnóstico de doença celíaca após investigação clínico-laboratorial.Sobre essa patologia ou seu diagnóstico, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) O padrão-ouro para o diagnóstico é a biópsia de intestino delgado evidenciando atrofia vilositária.
  2. B) No paciente suspeito, o teste terapêutico com restrição de glúten por 30 dias pode ser realizado e, em caso de desaparecimento dos sintomas, confirma-se o diagnóstico de doença celíaca.
  3. C) A associação com outras doenças autoimunes, como a enterite eosinofílica e o Diabetes mellitus tipo I, pode ocorrer.
  4. D) A presença de anticorpo antigliadina da classe IgG é altamente específica e sensível para o diagnóstico de doença celíaca.
  5. E) A anemia ferropriva é uma manifestação extraintestinal incomum nos pacientes celíacos.

Pérola Clínica

Doença celíaca: padrão-ouro diagnóstico = biópsia intestinal com atrofia vilositária.

Resumo-Chave

O diagnóstico definitivo da doença celíaca exige a biópsia do intestino delgado, que deve evidenciar atrofia vilositária, hiperplasia de criptas e aumento de linfócitos intraepiteliais. Testes sorológicos são importantes para triagem, mas não são confirmatórios por si só.

Contexto Educacional

A doença celíaca é uma enteropatia crônica autoimune do intestino delgado, desencadeada pela ingestão de glúten em indivíduos geneticamente predispostos. Caracteriza-se por uma resposta inflamatória que leva à atrofia das vilosidades intestinais, prejudicando a absorção de nutrientes. Sua prevalência tem aumentado globalmente, e é crucial para residentes reconhecerem suas diversas manifestações, que vão além dos sintomas gastrointestinais. A fisiopatologia envolve uma reação imunológica mediada por células T contra o glúten, resultando em danos à mucosa intestinal. O diagnóstico da doença celíaca é complexo e requer uma abordagem combinada. A suspeita clínica surge de sintomas como diarreia crônica, distensão abdominal, perda de peso, anemia ferropriva refratária, baixa estatura e outras manifestações extraintestinais. Os testes sorológicos, como o anti-transglutaminase tecidual (anti-tTG) IgA e o anti-endomísio (EMA) IgA, são importantes para a triagem, mas não são diagnósticos definitivos. O padrão-ouro para o diagnóstico da doença celíaca é a biópsia de intestino delgado, que deve ser realizada enquanto o paciente ainda consome glúten. A biópsia deve evidenciar atrofia vilositária, hiperplasia de criptas e aumento de linfócitos intraepiteliais. A associação com outras doenças autoimunes, como Diabetes Mellitus tipo 1 e tireoidites autoimunes, é comum. A anemia ferropriva é uma manifestação extraintestinal frequente e muitas vezes a única apresentação da doença. O tratamento consiste na adesão rigorosa a uma dieta isenta de glúten por toda a vida.

Perguntas Frequentes

Qual é o padrão-ouro para o diagnóstico da doença celíaca?

O padrão-ouro para o diagnóstico da doença celíaca é a biópsia de intestino delgado, que deve ser realizada enquanto o paciente ainda consome glúten, evidenciando atrofia vilositária, hiperplasia de criptas e aumento de linfócitos intraepiteliais.

Quais anticorpos são utilizados na triagem da doença celíaca?

Os anticorpos mais utilizados na triagem são o anti-transglutaminase tecidual (anti-tTG) IgA e, em casos de deficiência de IgA, o anti-tTG IgG ou anti-endomísio (EMA) IgA. O anticorpo anti-gliadina (AGA) IgG e IgA são menos específicos e sensíveis.

Por que a dieta sem glúten não deve ser iniciada antes da biópsia diagnóstica?

A dieta sem glúten não deve ser iniciada antes da biópsia porque a exclusão do glúten pode levar à recuperação da mucosa intestinal, mascarando as alterações histopatológicas características da doença celíaca e dificultando a confirmação diagnóstica.

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