Diagnóstico de Doença Celíaca: Sorologia e Biópsia Duodenal

UnB/HUB - Hospital Universitário de Brasília (DF) — Prova 2020

Enunciado

Paciente de quarenta e cinco anos de idade queixa-se de diarreia persistente há 6 meses, com 5 a 10 episódios de fezes líquidas por dia, sem produtos patológicos, associada a dor abdominal e flatulência, mas sem febre e sem perda de peso. Tendo esse caso clínico como referência, julgue o item subsecutivo. Nos casos de diarreia crônica, a pesquisa de doença celíaca mediante pesquisa de antigliadina com resultado positivo confirma o diagnóstico.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

Antigliadina (+) ≠ Diagnóstico. Padrão-ouro = Sorologia (Anti-tTG IgA) + Biópsia (Marsh).

Resumo-Chave

A pesquisa de anticorpos antigliadina (AGA) possui baixa especificidade e sensibilidade, não sendo mais recomendada para o diagnóstico confirmatório de Doença Celíaca. O diagnóstico requer sorologia específica (Anti-tTG IgA) e biópsia de duodeno com análise histopatológica.

Contexto Educacional

A Doença Celíaca é uma enteropatia autoimune desencadeada pela ingestão de glúten em indivíduos geneticamente predispostos. O quadro clínico de diarreia crônica, flatulência e dor abdominal é clássico, mas a apresentação pode ser frustra ou extraintestinal. O diagnóstico moderno baseia-se em um tripé: suspeita clínica, sorologia positiva e alterações histopatológicas na biópsia duodenal. Antigamente, a pesquisa de anticorpos antigliadina (AGA) era comum, mas sua falta de especificidade leva a erros diagnósticos frequentes. Atualmente, o protocolo exige a dosagem de Anti-tTG IgA associada à IgA total. Se a sorologia for positiva, procede-se à biópsia para graduação de Marsh. Resultados isolados de antigliadina positiva, como mencionado na questão, não possuem valor confirmatório, tornando a afirmativa incorreta.

Perguntas Frequentes

Por que a antigliadina não é mais recomendada?

Os anticorpos antigliadina (AGA) das classes IgA e IgG foram os primeiros marcadores utilizados para Doença Celíaca, mas caíram em desuso devido à sua baixa acurácia diagnóstica. Eles apresentam muitos resultados falso-positivos em pacientes com outras doenças gastrointestinais (como síndrome do intestino irritável ou doença de Crohn) e falso-negativos em pacientes celíacos. Atualmente, as diretrizes internacionais recomendam o anticorpo anti-transglutaminase tecidual (tTG) da classe IgA como o teste de triagem inicial de escolha, devido à sua altíssima sensibilidade e especificidade, superior a 95%.

Qual o papel da biópsia duodenal no diagnóstico?

A biópsia duodenal, realizada via endoscopia digestiva alta, permanece como o padrão-ouro para o diagnóstico de Doença Celíaca em adultos. Devem ser colhidas múltiplas amostras (pelo menos 4 do duodeno distal e 1 ou 2 do bulbo) para identificar alterações características descritas na Classificação de Marsh. Essas alterações incluem linfocitose intraepitelial, hiperplasia de criptas e atrofia vilositária. Mesmo com sorologia positiva, a biópsia é essencial para confirmar o dano tecidual e excluir outros diagnósticos diferenciais de enteropatia.

Como diagnosticar Doença Celíaca em pacientes com deficiência de IgA?

A deficiência seletiva de IgA é mais comum em pacientes com Doença Celíaca do que na população geral. Nesses casos, os testes baseados em IgA (como Anti-tTG IgA e Anti-Endomísio IgA) resultarão em falso-negativos. Se houver suspeita clínica e a IgA total estiver baixa, o médico deve solicitar testes baseados em IgG, especificamente o Anti-tTG IgG ou os anticorpos contra peptídeos de gliadina deaminada (DGP) da classe IgG. A biópsia duodenal torna-se ainda mais crucial nesses cenários para a confirmação diagnóstica.

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