INTO - Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (RJ) — Prova 2023
Antônio, de 15 meses, apresenta episódios recorrentes de dor abdominal sem sinais de invasividade. Segundo a mãe, o quadro começou após a introdução completa da dieta complementar aos 8 meses. Ao exame físico, chama atenção distensão abdominal e palidez cutâneo mucosa. Não há sinais de irritação peritoneal ou organomegalia palpáveis. A avaliação nutricional mostra que Antônio está entre os escores Z -2 e -3 em estatura para a idade e IMC para a idade. Hemograma recente demonstra anemia com características que sugerem sideropenia. A hipótese mais provável para o quadro é:
Criança com dor abdominal, distensão, desnutrição, anemia sideropênica após introdução glúten → Doença Celíaca.
A Doença Celíaca (espru não tropical) é uma enteropatia autoimune desencadeada pela ingestão de glúten em indivíduos geneticamente predispostos. Em crianças, manifesta-se com sintomas gastrointestinais (dor, distensão) e extraintestinais (anemia, desnutrição, atraso no crescimento), especialmente após a introdução de alimentos com glúten na dieta.
A Doença Celíaca, também conhecida como espru não tropical, é uma enteropatia crônica autoimune que ocorre em indivíduos geneticamente predispostos, desencadeada pela ingestão de glúten (proteína encontrada no trigo, cevada e centeio). Sua prevalência tem aumentado e o diagnóstico precoce é crucial para evitar complicações a longo prazo. Em crianças, a doença pode se manifestar de forma clássica com diarreia, dor e distensão abdominal, ou de forma atípica, com sintomas extraintestinais. O quadro clínico em lactentes e crianças pequenas frequentemente surge após a introdução de cereais contendo glúten na dieta complementar, geralmente entre 6 e 24 meses de idade. Os sintomas podem incluir dor abdominal recorrente, distensão abdominal, diarreia crônica, vômitos, irritabilidade, perda de peso, atraso no crescimento (baixa estatura e baixo IMC para a idade), e manifestações de má absorção como anemia ferropriva refratária, osteopenia e deficiências vitamínicas. O diagnóstico envolve a dosagem de anticorpos específicos (anti-transglutaminase tecidual IgA, anti-endomísio IgA) e, em muitos casos, a biópsia de intestino delgado para confirmar a atrofia vilositária. O tratamento é a exclusão permanente do glúten da dieta, o que leva à recuperação da mucosa intestinal e à remissão dos sintomas. É vital que residentes saibam reconhecer essa condição, que muitas vezes se apresenta com sintomas inespecíficos.
Em crianças, a Doença Celíaca pode se manifestar com dor e distensão abdominal, diarreia crônica, vômitos, irritabilidade, perda de peso ou falha de crescimento, anemia e palidez.
A inflamação e atrofia das vilosidades intestinais na Doença Celíaca comprometem a absorção de nutrientes, incluindo o ferro, levando à anemia por deficiência de ferro (sideropênica).
O tratamento principal e único eficaz para a Doença Celíaca é a adesão rigorosa a uma dieta isenta de glúten por toda a vida. Isso permite a recuperação da mucosa intestinal e a remissão dos sintomas.
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