Doença Celíaca na Infância: Diagnóstico e Sinais Clínicos

PSU-GO - Processo Seletivo Unificado de Goiás — Prova 2025

Enunciado

Lactante, 1 ano e 1 mês de idade, pesando 7 Kg, apresenta diarreia há 3 meses e meio, com 7 evacuações por dia, fezes amolecidas, semiliquidas, fétidas com episódios de vômitos ocasionais e recusa alimentar. Já fez 2 exames parasitológicos e várias culturas de fezes que foram negativas. Teve dois episódios de febre e tosse neste período. Nasceu de parto normal, a termo, peso de nascimento 3,450 Kg. Foi amamentado ao seio até 3 meses de vida e após iniciado fórmula infantil. A partir dos 5 meses, iniciando as papas de frutas, legumes, cereais, carnes, pão, bolachas, de forma gradual e com boa aceitação. Ao exame físico criança irritada, desnutrida, hidratada, descorada ++/4+, abdômen distendido e hipertimpânico, subcutâneo e musculatura hipotróficas e assadura perianal. De acordo com o relato, qual é a hipótese diagnóstica mais provável para este quadro clínico?

Alternativas

  1. A) Fibrose cística.
  2. B) Deficiência de sacarase-isomaltase.
  3. C) Doença celíaca.
  4. D) Enteropatia por alergia ao leite de vaca.

Pérola Clínica

Glúten após 5 meses + Diarreia crônica + Distensão abdominal + Desnutrição = Doença Celíaca.

Resumo-Chave

A doença celíaca manifesta-se após a introdução do glúten, causando atrofia vilositária e má absorção. O quadro clássico inclui distensão abdominal e déficit ponderal.

Contexto Educacional

A doença celíaca é uma enteropatia crônica mediada pelo sistema imune que afeta cerca de 1% da população mundial. O diagnóstico em lactentes exige um alto índice de suspeição, especialmente quando os sintomas surgem meses após a introdução de cereais contendo glúten (trigo, cevada, centeio). O tratamento consiste na exclusão rigorosa e vitalícia do glúten da dieta, o que geralmente resulta na remissão completa dos sintomas e na recuperação da mucosa intestinal. O acompanhamento multidisciplinar é essencial para garantir a adesão dietética e monitorar a recuperação nutricional da criança.

Perguntas Frequentes

Qual a fisiopatologia da Doença Celíaca?

A doença celíaca é uma enteropatia imunomediada desencadeada pela ingestão de glúten em indivíduos geneticamente predispostos (HLA-DQ2 e HLA-DQ8). A fisiopatologia envolve a digestão incompleta de proteínas do glúten, como a gliadina, que atravessa o epitélio intestinal e é desidatada pela enzima transglutaminase tecidual. Isso aumenta sua afinidade por moléculas HLA de classe II em células apresentadoras de antígenos, ativando linfócitos T CD4+ na lâmina própria. A resposta inflamatória resultante, com liberação de citocinas pró-inflamatórias como o IFN-gama, leva à destruição progressiva dos enterócitos, hiperplasia de criptas e atrofia das vilosidades intestinais. Esse processo compromete gravemente a superfície de absorção, resultando em síndromes de má absorção clássicas, caracterizadas por diarreia esteatorreica, perda de peso e deficiências nutricionais múltiplas.

Como é feito o diagnóstico laboratorial e histopatológico?

O diagnóstico baseia-se no tripé: quadro clínico sugestivo, sorologia positiva e alterações histopatológicas na biópsia duodenal. Os testes sorológicos de escolha são o anticorpo anti-transglutaminase tecidual da classe IgA (tTG-IgA) e o anticorpo anti-endomísio (EMA-IgA), apresentando alta sensibilidade e especificidade. Em crianças com deficiência de IgA, deve-se solicitar o anticorpo anti-gliadina deaminada da classe IgG. A biópsia, obtida por endoscopia digestiva alta, é o padrão-ouro e deve mostrar atrofia vilositária, hiperplasia de criptas e aumento dos linfócitos intraepiteliais, classificados pela escala de Marsh-Oberhuber. Recentemente, algumas diretrizes permitem o diagnóstico sem biópsia em crianças com sintomas clássicos e títulos de tTG-IgA superiores a 10 vezes o limite da normalidade, confirmados por EMA-IgA.

Quais as principais complicações da doença não tratada?

A manutenção da ingestão de glúten em pacientes celíacos leva a um estado de inflamação crônica e má absorção persistente. As complicações a curto prazo incluem anemia ferropriva refratária, osteopenia por má absorção de cálcio e vitamina D, baixa estatura e atraso puberal. Em casos graves, pode ocorrer a crise celíaca, caracterizada por diarreia profusa, desidratação e distúrbios eletrolíticos graves. A longo prazo, o risco de neoplasias gastrointestinais, especialmente o linfoma de células T associado à enteropatia, aumenta significativamente. Além disso, a doença celíaca está associada a outras condições autoimunes, como diabetes mellitus tipo 1 e tireoidite de Hashimoto, que podem ser exacerbadas pela falta de adesão à dieta isenta de glúten.

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