UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2021
A doença celíaca (DC) é uma enteropatia imunomediada causada por sensibilidade permanente ao glúten em indivíduos geneticamente predispostos. Na DC é correto afirmar:
DC atípica: anemia ferropriva refratária, artralgias, atraso puberal → suspeitar mesmo sem sintomas gastrointestinais clássicos.
A Doença Celíaca (DC) possui formas atípicas ou não clássicas, onde as manifestações extraintestinais predominam ou são as únicas presentes. Anemia por deficiência de ferro refratária à ferroterapia oral, artralgias, artrites, atraso puberal, baixa estatura e osteopenia são exemplos comuns dessas apresentações, exigindo alta suspeição diagnóstica.
A Doença Celíaca (DC) é uma enteropatia imunomediada crônica, desencadeada pela ingestão de glúten em indivíduos geneticamente predispostos. Embora a forma clássica seja caracterizada por sintomas gastrointestinais como diarreia crônica, distensão abdominal e perda de peso, as formas atípicas são cada vez mais reconhecidas e representam um desafio diagnóstico significativo. A prevalência da DC tem aumentado, e o reconhecimento de suas diversas apresentações é fundamental para o diagnóstico precoce e manejo adequado. A fisiopatologia da DC envolve uma resposta imune mediada por células T à gliadina (componente do glúten) na mucosa do intestino delgado, levando à atrofia das vilosidades, hiperplasia das criptas e infiltrado inflamatório. Nas formas atípicas, a má absorção pode ser subclínica ou manifestar-se principalmente através de sintomas extraintestinais. A anemia por deficiência de ferro refratária à suplementação oral é uma das apresentações mais comuns e deve sempre levantar a suspeita de DC. Outras manifestações incluem baixa estatura, atraso puberal, osteopenia/osteoporose, artralgias, alterações neurológicas e dermatite herpetiforme. O diagnóstico da DC baseia-se na combinação de sorologia positiva (anti-tTG IgA, EMA IgA) e biópsia de intestino delgado que demonstre atrofia vilositária. É crucial que o paciente esteja consumindo glúten no momento dos exames para evitar resultados falso-negativos. O tratamento consiste em uma dieta rigorosa e permanente sem glúten, que leva à recuperação da mucosa intestinal e à resolução dos sintomas. O não reconhecimento das formas atípicas pode levar a atrasos no diagnóstico, com consequências a longo prazo para a saúde do paciente.
As manifestações mais comuns da DC atípica incluem anemia por deficiência de ferro refratária ao tratamento oral, baixa estatura, atraso puberal, osteopenia/osteoporose, artralgias/artrites, alterações dentárias, dermatite herpetiforme e elevação inexplicada de transaminases.
Os principais testes sorológicos são o anticorpo anti-transglutaminase tecidual IgA (anti-tTG IgA) e o anticorpo antiendomísio IgA (EMA IgA). Em casos de deficiência de IgA, deve-se pesquisar o anti-tTG IgG e o anti-DGP IgG (anticorpo anti-peptídeo deaminado de gliadina).
A dieta para pacientes com Doença Celíaca é estritamente sem glúten. Devem ser evitados trigo, cevada e centeio, e todos os produtos que os contenham. A aveia, se pura e certificada como isenta de contaminação por glúten, pode ser tolerada por alguns pacientes, mas deve ser introduzida com cautela.
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