Doença Celíaca Atípica: Diagnóstico e Manifestações

UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2021

Enunciado

A doença celíaca (DC) é uma enteropatia imunomediada causada por sensibilidade permanente ao glúten em indivíduos geneticamente predispostos. Na DC é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) A forma clássica da DC é caracterizada pela presença de constipação intestinal refratária ao tratamento, distensão abdominal, dor epigástrica e perda de peso.
  2. B) Os principais testes para o diagnóstico da doença celíaca são a calprotectina fecal e o anticorpo antiendomísio da classe lgG e lgM.
  3. C) Em pacientes com DC deve ser evitado trigo, milho, cevada e lentilha.
  4. D) Nas formas atípicas da DC pode ocorrer anemia por deficiência de ferro refratária à ferroterapia oral, artralgias ou artrites e atraso puberal.

Pérola Clínica

DC atípica: anemia ferropriva refratária, artralgias, atraso puberal → suspeitar mesmo sem sintomas gastrointestinais clássicos.

Resumo-Chave

A Doença Celíaca (DC) possui formas atípicas ou não clássicas, onde as manifestações extraintestinais predominam ou são as únicas presentes. Anemia por deficiência de ferro refratária à ferroterapia oral, artralgias, artrites, atraso puberal, baixa estatura e osteopenia são exemplos comuns dessas apresentações, exigindo alta suspeição diagnóstica.

Contexto Educacional

A Doença Celíaca (DC) é uma enteropatia imunomediada crônica, desencadeada pela ingestão de glúten em indivíduos geneticamente predispostos. Embora a forma clássica seja caracterizada por sintomas gastrointestinais como diarreia crônica, distensão abdominal e perda de peso, as formas atípicas são cada vez mais reconhecidas e representam um desafio diagnóstico significativo. A prevalência da DC tem aumentado, e o reconhecimento de suas diversas apresentações é fundamental para o diagnóstico precoce e manejo adequado. A fisiopatologia da DC envolve uma resposta imune mediada por células T à gliadina (componente do glúten) na mucosa do intestino delgado, levando à atrofia das vilosidades, hiperplasia das criptas e infiltrado inflamatório. Nas formas atípicas, a má absorção pode ser subclínica ou manifestar-se principalmente através de sintomas extraintestinais. A anemia por deficiência de ferro refratária à suplementação oral é uma das apresentações mais comuns e deve sempre levantar a suspeita de DC. Outras manifestações incluem baixa estatura, atraso puberal, osteopenia/osteoporose, artralgias, alterações neurológicas e dermatite herpetiforme. O diagnóstico da DC baseia-se na combinação de sorologia positiva (anti-tTG IgA, EMA IgA) e biópsia de intestino delgado que demonstre atrofia vilositária. É crucial que o paciente esteja consumindo glúten no momento dos exames para evitar resultados falso-negativos. O tratamento consiste em uma dieta rigorosa e permanente sem glúten, que leva à recuperação da mucosa intestinal e à resolução dos sintomas. O não reconhecimento das formas atípicas pode levar a atrasos no diagnóstico, com consequências a longo prazo para a saúde do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são as manifestações mais comuns da Doença Celíaca atípica?

As manifestações mais comuns da DC atípica incluem anemia por deficiência de ferro refratária ao tratamento oral, baixa estatura, atraso puberal, osteopenia/osteoporose, artralgias/artrites, alterações dentárias, dermatite herpetiforme e elevação inexplicada de transaminases.

Quais são os principais testes sorológicos para o diagnóstico da Doença Celíaca?

Os principais testes sorológicos são o anticorpo anti-transglutaminase tecidual IgA (anti-tTG IgA) e o anticorpo antiendomísio IgA (EMA IgA). Em casos de deficiência de IgA, deve-se pesquisar o anti-tTG IgG e o anti-DGP IgG (anticorpo anti-peptídeo deaminado de gliadina).

Qual a dieta recomendada para pacientes com Doença Celíaca e quais alimentos devem ser evitados?

A dieta para pacientes com Doença Celíaca é estritamente sem glúten. Devem ser evitados trigo, cevada e centeio, e todos os produtos que os contenham. A aveia, se pura e certificada como isenta de contaminação por glúten, pode ser tolerada por alguns pacientes, mas deve ser introduzida com cautela.

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