Doença Celíaca: Diagnóstico e Deficiência de IgA

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2025

Enunciado

Criança de 5 anos apresenta diarreia não sanguinolenta há 3 meses associada à dor abdominal. Ao exame clínico, apresenta-se levemente hipocorado e com abdômen distendido. O pediatra suspeitou de doença celíaca (DC) e solicitou apenas o Anticorpo Antitransglutaminase Tissular 2 da classe IGA, o qual foi negativo. Diante do exposto, podemos afirmar que

Alternativas

  1. A) A hipótese de DC deve ser afastada.
  2. B) Uma colonoscopia deve ser indicada ao invés de endoscopia digestiva alta com biópsia do duodeno, por não se tratar de DC.
  3. C) Deve-se realizar exame genético com pesquisa de HLA DQ 12 e DQ 20.
  4. D) Por não se tratar ainda de um paciente com diarreia crônica, deve ser tratado para parasitose intestinal antes de serem solicitados exames invasivos.
  5. E) O profissional deve solicitar a dosagem total de IGA sérica.

Pérola Clínica

Anti-tTG IgA negativo + suspeita clínica → Dosar IgA total para excluir deficiência seletiva de IgA.

Resumo-Chave

A deficiência de IgA é mais comum em pacientes celíacos. Se o IgA total for baixo, os testes baseados em IgA serão falsamente negativos, exigindo testes baseados em IgG.

Contexto Educacional

A Doença Celíaca (DC) é uma enteropatia autoimune desencadeada pela ingestão de glúten em indivíduos geneticamente predispostos (HLA-DQ2/DQ8). O quadro clínico clássico envolve diarreia crônica, distensão abdominal e déficit de crescimento, mas apresentações atípicas são frequentes. O rastreio sorológico inicial é feito preferencialmente com o anticorpo antitransglutaminase tecidual da classe IgA (anti-tTG IgA), devido à sua alta sensibilidade e especificidade. No entanto, a interpretação correta depende da competência imunológica do paciente em produzir IgA. A falha em reconhecer a deficiência de IgA é um erro diagnóstico crítico que retarda o tratamento de uma condição com potencial de complicações a longo prazo, como linfomas e osteoporose.

Perguntas Frequentes

Por que dosar IgA total na suspeita de Doença Celíaca?

Pacientes com Doença Celíaca têm uma prevalência de deficiência seletiva de IgA cerca de 10 a 15 vezes maior que a população geral. Como o teste de triagem principal (Anti-tTG) utiliza a classe IgA, um paciente com deficiência de IgA terá um resultado falso-negativo. Portanto, a dosagem de IgA total é essencial para validar o teste sorológico.

O que fazer se o paciente tiver deficiência de IgA?

Caso o paciente apresente níveis de IgA total abaixo do limite inferior para a idade, deve-se solicitar testes sorológicos baseados na classe IgG, como o Anticorpo Anti-Peptídeo Deaminado de Gliadina (DGP-IgG) ou o próprio Anti-tTG IgG, para prosseguir com a investigação diagnóstica.

Qual o próximo passo após sorologia positiva?

Em adultos e na maioria das crianças, o próximo passo após uma sorologia positiva é a realização de endoscopia digestiva alta com múltiplas biópsias de duodeno (bulbo e porções distais) para confirmação histopatológica (Classificação de Marsh). Em crianças, sob critérios muito específicos da ESPGHAN, o diagnóstico pode ser feito sem biópsia se o anti-tTG for >10x o limite superior.

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