SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2025
Criança de 5 anos apresenta diarreia não sanguinolenta há 3 meses associada à dor abdominal. Ao exame clínico, apresenta-se levemente hipocorado e com abdômen distendido. O pediatra suspeitou de doença celíaca (DC) e solicitou apenas o Anticorpo Antitransglutaminase Tissular 2 da classe IGA, o qual foi negativo. Diante do exposto, podemos afirmar que
Anti-tTG IgA negativo + suspeita clínica → Dosar IgA total para excluir deficiência seletiva de IgA.
A deficiência de IgA é mais comum em pacientes celíacos. Se o IgA total for baixo, os testes baseados em IgA serão falsamente negativos, exigindo testes baseados em IgG.
A Doença Celíaca (DC) é uma enteropatia autoimune desencadeada pela ingestão de glúten em indivíduos geneticamente predispostos (HLA-DQ2/DQ8). O quadro clínico clássico envolve diarreia crônica, distensão abdominal e déficit de crescimento, mas apresentações atípicas são frequentes. O rastreio sorológico inicial é feito preferencialmente com o anticorpo antitransglutaminase tecidual da classe IgA (anti-tTG IgA), devido à sua alta sensibilidade e especificidade. No entanto, a interpretação correta depende da competência imunológica do paciente em produzir IgA. A falha em reconhecer a deficiência de IgA é um erro diagnóstico crítico que retarda o tratamento de uma condição com potencial de complicações a longo prazo, como linfomas e osteoporose.
Pacientes com Doença Celíaca têm uma prevalência de deficiência seletiva de IgA cerca de 10 a 15 vezes maior que a população geral. Como o teste de triagem principal (Anti-tTG) utiliza a classe IgA, um paciente com deficiência de IgA terá um resultado falso-negativo. Portanto, a dosagem de IgA total é essencial para validar o teste sorológico.
Caso o paciente apresente níveis de IgA total abaixo do limite inferior para a idade, deve-se solicitar testes sorológicos baseados na classe IgG, como o Anticorpo Anti-Peptídeo Deaminado de Gliadina (DGP-IgG) ou o próprio Anti-tTG IgG, para prosseguir com a investigação diagnóstica.
Em adultos e na maioria das crianças, o próximo passo após uma sorologia positiva é a realização de endoscopia digestiva alta com múltiplas biópsias de duodeno (bulbo e porções distais) para confirmação histopatológica (Classificação de Marsh). Em crianças, sob critérios muito específicos da ESPGHAN, o diagnóstico pode ser feito sem biópsia se o anti-tTG for >10x o limite superior.
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