IDOR - Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino - Rede D'Or (RJ) — Prova 2026
Nos últimos anos, tem-se percebido um aumento no número de casos de doença celíaca. Sobre esta condição patológica, infere-se que:
Doença Celíaca = Atrofia vilositária + Hiperplasia de criptas + Linfocitose intraepitelial.
O diagnóstico histopatológico da doença celíaca baseia-se na tríade de atrofia de vilosidades, hiperplasia de criptas e aumento de linfócitos intraepiteliais, ocorrendo em indivíduos geneticamente predispostos expostos ao glúten.
A doença celíaca é uma desordem sistêmica autoimune desencadeada pela ingestão de glúten em indivíduos geneticamente suscetíveis. A fisiopatologia envolve uma resposta imune T-mediada que causa danos à mucosa do intestino delgado, resultando em má absorção de nutrientes. O diagnóstico moderno integra a clínica, a sorologia (especialmente o anticorpo anti-transglutaminase tecidual IgA) e a histopatologia. Na prática clínica, a endoscopia digestiva alta com múltiplas biópsias duodenais (pelo menos 4 fragmentos, incluindo o bulbo) é o padrão-ouro. A análise histológica revela o infiltrado inflamatório e a desestruturação da arquitetura vilositária. O tratamento consiste exclusivamente na dieta isenta de glúten por toda a vida, o que previne complicações a longo prazo, como osteoporose, anemia ferropriva refratária e linfoma de células T associado à enteropatia.
Os achados clássicos, frequentemente descritos pela Classificação de Marsh, incluem o aumento de linfócitos intraepiteliais (linfocitose intraepitelial), a hiperplasia das criptas (tentativa de regeneração da mucosa) e a atrofia das vilosidades intestinais (que reduz a superfície de absorção). Esses achados são fundamentais para confirmar a enteropatia em pacientes com sorologia positiva ou alta suspeita clínica, desde que o paciente ainda esteja consumindo glúten no momento do exame.
A doença celíaca tem uma forte base genética, estando associada quase exclusivamente aos alelos HLA-DQ2 e HLA-DQ8. A ausência desses antígenos possui um valor preditivo negativo muito alto (próximo a 100%), o que significa que, se um paciente não possui esses marcadores, o diagnóstico de doença celíaca é extremamente improvável. No entanto, sua presença não confirma a doença, pois muitos indivíduos saudáveis também carregam esses genes.
A retirada do glúten da dieta leva à recuperação da mucosa intestinal e à negativação dos anticorpos séricos (como o anti-transglutaminase tecidual IgA). Se os exames diagnósticos forem realizados após a exclusão do glúten, os resultados podem ser falsamente normais, impedindo a confirmação da patologia. O protocolo correto exige que a biópsia e a sorologia sejam realizadas enquanto o paciente mantém uma dieta contendo glúten.
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