Doença Celíaca Infantil: Diagnóstico de Anemia Refratária

UniEVANGÉLICA - Universidade Evangélica de Goiás — Prova 2015

Enunciado

Maria, mãe de Raimundo Nonato, com 7 anos de idade, procura o médico da UBS. Segundo maria, Raimundo tem anemia que foi diagnosticada com um ano de idade. Faz uso, desde essa época, de sulfato ferroso, mas sem melhora do quadro. Informa ainda que o menor está sempre se queixando de artralgia principalmente de membros inferiores, apresenta fezes secas e pétreas, evacuando 2 vezes na semana, mesmo após uso de várias medicações prescritas pelo pediatra. Outra queixa da mãe é que o filho está "muito miudinho, parece que não tá crescendo direito". Nega internações anteriores e outras patologias. De acordo com o quadro de Raimundo, qual procedimento é imprescindível para comprovar o diagnóstico?

Alternativas

  1. A) Parasitológico de fezes.
  2. B) Endoscopia com biópsia.
  3. C) Marcadores sorológicos.
  4. D) Laparotomia exploratória. 

Pérola Clínica

Anemia ferropriva refratária + baixa estatura + constipação + artralgia em criança → Suspeitar Doença Celíaca, confirmar com endoscopia + biópsia.

Resumo-Chave

A combinação de anemia ferropriva refratária ao tratamento, baixa estatura, artralgia e constipação crônica em uma criança é altamente sugestiva de Doença Celíaca. O diagnóstico definitivo requer a realização de endoscopia digestiva alta com biópsia do duodeno para avaliar as alterações histológicas características da doença.

Contexto Educacional

A Doença Celíaca é uma enteropatia autoimune desencadeada pela ingestão de glúten em indivíduos geneticamente predispostos. Em crianças, a apresentação clínica pode ser bastante heterogênea, variando de sintomas gastrointestinais clássicos a manifestações extraintestinais, o que frequentemente atrasa o diagnóstico. A anemia ferropriva refratária ao tratamento com sulfato ferroso, baixa estatura, artralgia e constipação crônica são sinais de alerta importantes que devem levantar a suspeita de Doença Celíaca em crianças. A má absorção de nutrientes, incluindo o ferro, é uma consequência direta da atrofia das vilosidades intestinais, característica da doença. Diante de um quadro clínico sugestivo, a investigação deve prosseguir com a pesquisa de marcadores sorológicos específicos, como os anticorpos anti-transglutaminase tecidual (anti-tTG IgA) e anti-endomísio (EMA IgA). No entanto, o diagnóstico definitivo da Doença Celíaca ainda requer a realização de endoscopia digestiva alta com múltiplas biópsias do duodeno. As biópsias permitem a avaliação histopatológica das alterações na mucosa intestinal, que são cruciais para a confirmação da doença e para diferenciar de outras condições que podem mimetizar a Doença Celíaca. É fundamental que o residente reconheça a importância de não iniciar a dieta sem glúten antes da confirmação diagnóstica por biópsia, pois isso pode dificultar a interpretação dos resultados histopatológicos. O tratamento consiste na adesão rigorosa a uma dieta isenta de glúten por toda a vida, o que leva à recuperação da mucosa intestinal e à resolução dos sintomas.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da Doença Celíaca em crianças?

Os sintomas da Doença Celíaca em crianças podem ser variados e atípicos, incluindo diarreia crônica, dor abdominal, distensão abdominal, perda de peso, baixa estatura, anemia ferropriva refratária, constipação, irritabilidade e artralgia. A apresentação clássica com má absorção grave é menos comum atualmente.

Por que a endoscopia com biópsia é o padrão-ouro para o diagnóstico de Doença Celíaca?

A endoscopia com biópsia do duodeno é o padrão-ouro porque permite a avaliação direta das vilosidades intestinais e a identificação das alterações histológicas características da Doença Celíaca, como atrofia vilositária, hiperplasia de criptas e aumento de linfócitos intraepiteliais, que são essenciais para a confirmação diagnóstica.

Quais são os marcadores sorológicos para Doença Celíaca e qual sua utilidade?

Os marcadores sorológicos incluem anticorpos anti-transglutaminase tecidual (anti-tTG IgA), anti-endomísio (EMA IgA) e anti-peptídeos de gliadina desaminada (DGP IgA e IgG). Eles são úteis para triagem e acompanhamento, mas um resultado positivo deve ser confirmado por biópsia duodenal, especialmente antes de iniciar a dieta sem glúten.

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