Diagnóstico Sorológico da Doença Celíaca: Passo a Passo

AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2025

Enunciado

Enzo Felipe, 24 anos, ansiando por um perfil mais esbelto e atraente, decidiu experimentar a dieta cetogênica, pois acredita que a ingestão de farinhas brancas e leite causam inflamação e adiposidade mesogástrica. Reclama de flatulência eventual. Desconfia que as lesões de pele pápulo vesiculares em faces extensoras e o recente diagnóstico de doença celíaca em 2 primas de primeiro grau sejam evidências de ser portador de processo digestivo peculiar, ainda não diagnosticado. Antes, porém, de iniciar o plano dietético e de atividade física programada, quis submeter-se a exames que pudessem comprovar sua teoria sobre ser intolerante ao glúten. As análises solicitadas pelo seu clínico geral, que melhor ajudariam a esclarecer sobre um possível quadro de doença celíaca seriam:

Alternativas

  1. A) Swab de mucosa bucal com análise de alelos heterodiméricos HLA-DQ2 e HLA-DQ8.
  2. B) Exames sorológicos como IgA antitransglutaminase tecidual (anti-tTG) e IGA total.
  3. C) Análise genética de mutações do gene mutações do gene NOD2/CARD15 e dosagem de calprotectina fecal.
  4. D) Endoscopia digestiva alta com biópsias gástricas — que devem ser realizadas no fundo e antro (pelo menos 4 amostras).
  5. E) Prova do glúten com ingestão de 10 g de glúten (equivalente a 2 fatias de pão de trigo integral) por dia, durante 10 dias, com dosagem de Ac Antigliadina e Antiendomísio no momento basal e pós sobrecarga de glúten.

Pérola Clínica

Suspeita de Doença Celíaca → Solicitar IgA anti-tTG + IgA Total (para excluir falso-negativo por deficiência de IgA).

Resumo-Chave

O rastreio inicial da doença celíaca deve incluir a IgA anti-transglutaminase e a dosagem de IgA total, garantindo a acurácia do teste em pacientes com deficiência seletiva de IgA.

Contexto Educacional

A doença celíaca é uma desordem sistêmica autoimune mediada pelo glúten em indivíduos geneticamente predispostos (HLA-DQ2/DQ8). A apresentação clínica é vasta, indo de sintomas clássicos de má absorção até manifestações extraintestinais como a dermatite herpetiforme (lesões pápulo-vesiculares em superfícies extensoras). O diagnóstico correto exige que o paciente esteja em uma dieta contendo glúten. A sorologia é o primeiro passo, mas a interpretação deve ser cautelosa. A deficiência de IgA é 10 a 15 vezes mais comum em celíacos do que na população geral, tornando a dosagem de IgA total um componente obrigatório do painel diagnóstico inicial.

Perguntas Frequentes

Qual o exame de primeira linha para doença celíaca?

O anticorpo IgA anti-transglutaminase tecidual (anti-tTG) é o teste de escolha devido à sua alta sensibilidade e especificidade (>95%). Deve ser sempre acompanhado da dosagem de IgA total.

O que fazer se o paciente tiver deficiência de IgA?

Se a IgA total estiver abaixo do limite inferior para a idade, os testes baseados em IgA (anti-tTG e anti-endomísio) serão pouco confiáveis. Nesses casos, deve-se solicitar testes baseados em IgG, como o IgG anti-tTG ou IgG anti-peptídeos de gliadina deaminada (DGP).

Quando a biópsia duodenal é necessária?

Na maioria dos adultos, a biópsia por endoscopia digestiva alta continua sendo o padrão-ouro para confirmação (classificação de Marsh). Em crianças, critérios específicos da ESPGHAN permitem o diagnóstico sem biópsia se o anti-tTG for >10x o limite superior.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo