AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2025
Enzo Felipe, 24 anos, ansiando por um perfil mais esbelto e atraente, decidiu experimentar a dieta cetogênica, pois acredita que a ingestão de farinhas brancas e leite causam inflamação e adiposidade mesogástrica. Reclama de flatulência eventual. Desconfia que as lesões de pele pápulo vesiculares em faces extensoras e o recente diagnóstico de doença celíaca em 2 primas de primeiro grau sejam evidências de ser portador de processo digestivo peculiar, ainda não diagnosticado. Antes, porém, de iniciar o plano dietético e de atividade física programada, quis submeter-se a exames que pudessem comprovar sua teoria sobre ser intolerante ao glúten. As análises solicitadas pelo seu clínico geral, que melhor ajudariam a esclarecer sobre um possível quadro de doença celíaca seriam:
Suspeita de Doença Celíaca → Solicitar IgA anti-tTG + IgA Total (para excluir falso-negativo por deficiência de IgA).
O rastreio inicial da doença celíaca deve incluir a IgA anti-transglutaminase e a dosagem de IgA total, garantindo a acurácia do teste em pacientes com deficiência seletiva de IgA.
A doença celíaca é uma desordem sistêmica autoimune mediada pelo glúten em indivíduos geneticamente predispostos (HLA-DQ2/DQ8). A apresentação clínica é vasta, indo de sintomas clássicos de má absorção até manifestações extraintestinais como a dermatite herpetiforme (lesões pápulo-vesiculares em superfícies extensoras). O diagnóstico correto exige que o paciente esteja em uma dieta contendo glúten. A sorologia é o primeiro passo, mas a interpretação deve ser cautelosa. A deficiência de IgA é 10 a 15 vezes mais comum em celíacos do que na população geral, tornando a dosagem de IgA total um componente obrigatório do painel diagnóstico inicial.
O anticorpo IgA anti-transglutaminase tecidual (anti-tTG) é o teste de escolha devido à sua alta sensibilidade e especificidade (>95%). Deve ser sempre acompanhado da dosagem de IgA total.
Se a IgA total estiver abaixo do limite inferior para a idade, os testes baseados em IgA (anti-tTG e anti-endomísio) serão pouco confiáveis. Nesses casos, deve-se solicitar testes baseados em IgG, como o IgG anti-tTG ou IgG anti-peptídeos de gliadina deaminada (DGP).
Na maioria dos adultos, a biópsia por endoscopia digestiva alta continua sendo o padrão-ouro para confirmação (classificação de Marsh). Em crianças, critérios específicos da ESPGHAN permitem o diagnóstico sem biópsia se o anti-tTG for >10x o limite superior.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo