Diagnóstico da Doença Celíaca: Critérios e Biópsia

UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2025

Enunciado

Paciente masculino, 26 anos, apresentando há cerca de 6 meses diarreia líquida, cerca de 8 episódios ao dia, associado a emagrecimento e exames laboratoriais evidenciando anemia ferropriva. Pensando no diagnóstico de Doença Celíaca (DC), assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) Presença de número igual ou maior que 25 linfócitos intraepiteliais por 100 células epiteliais, mesmo na ausência de atrofia vilositária, é considerado achado específico para o diagnóstico de DC.
  2. B) Recomenda-se em ambos, crianças e adultos, múltiplas biópsias duodenais para confirmação diagnóstica em pacientes com suspeita clínica de DC.
  3. C) Anticorpo antiendomísio positivo, na presença de sintomas, é considerado de elevada sensibilidade e especificidade para o diagnóstico de DC.
  4. D) Na suspeita diagnóstica de DC o achado endoscópico pode ser considerado como critério diagnóstico isolado, e o tratamento poderá ser imediatamente instituído.

Pérola Clínica

Suspeita de Doença Celíaca → Múltiplas biópsias duodenais (bulbo + distal) para confirmação diagnóstica.

Resumo-Chave

O diagnóstico de Doença Celíaca requer a combinação de clínica, sorologia positiva e alterações histopatológicas compatíveis em múltiplas amostras de biópsia duodenal.

Contexto Educacional

A Doença Celíaca é uma enteropatia imunomediada desencadeada pelo glúten em indivíduos geneticamente predispostos. O quadro clínico varia de diarreia clássica e má absorção a sintomas extraintestinais como anemia ferropriva refratária. A biópsia permanece o padrão-ouro para adultos, caracterizando-se por atrofia vilositária, hiperplasia de criptas e aumento de linfócitos intraepiteliais. O tratamento consiste na exclusão rigorosa e vitalícia do glúten da dieta.

Perguntas Frequentes

Por que são necessárias múltiplas biópsias para diagnosticar Doença Celíaca?

A Doença Celíaca pode apresentar lesões histopatológicas de forma 'patchy' (em remendos), ou seja, áreas de mucosa alterada intercaladas com áreas normais. Por isso, as diretrizes recomendam a coleta de pelo menos 4 a 6 fragmentos, incluindo amostras do bulbo duodenal e da porção distal do duodeno, para aumentar a sensibilidade diagnóstica e evitar resultados falso-negativos por erro de amostragem.

Qual o papel dos anticorpos no diagnóstico da Doença Celíaca?

Os anticorpos são ferramentas de triagem essenciais. O anticorpo antitransglutaminase tecidual (tTG-IgA) é o teste inicial de escolha devido à sua alta sensibilidade e especificidade. O anticorpo antiendomísio (EMA-IgA) possui especificidade próxima a 100% e é frequentemente usado para confirmar resultados positivos de tTG. Em crianças, níveis muito elevados de tTG (>10x o limite superior) podem, em contextos específicos, permitir o diagnóstico sem biópsia.

Achados endoscópicos isolados podem diagnosticar a Doença Celíaca?

Não. Embora achados como o pregueado festonado (scalloping), redução das pregas duodenais e padrão em mosaico sugiram fortemente a doença, eles não são patognomônicos. O diagnóstico definitivo exige obrigatoriamente a análise histopatológica (Classificação de Marsh-Oberhuber) em conjunto com a sorologia positiva e a resposta clínica à dieta isenta de glúten.

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