SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2025
A doença celíaca é uma enteropatia autoimune desencadeada pela ingestão de glúten. Uma manifestação extraintestinal da doença celíaca é a
Doença celíaca → Má absorção de nutrientes → Osteoporose é uma manifestação extraintestinal clássica.
A doença celíaca causa atrofia vilositária no intestino delgado, prejudicando a absorção de cálcio e vitamina D, o que leva à redução da densidade mineral óssea e osteoporose precoce.
A doença celíaca é uma enteropatia autoimune mediada por células T em indivíduos geneticamente predispostos (HLA-DQ2/DQ8). A apresentação clínica mudou nas últimas décadas: a forma clássica (diarreia e desnutrição) tornou-se menos comum que as formas não clássicas ou subclínicas, onde predominam as manifestações extraintestinais. A osteoporose é uma complicação grave e frequente, afetando até 75% dos pacientes ao diagnóstico. O rastreamento com densitometria óssea é frequentemente recomendado para adultos no momento do diagnóstico da doença celíaca. O reconhecimento dessas manifestações é vital para o diagnóstico precoce e prevenção de fraturas patológicas e outras morbidades a longo prazo.
A osteoporose na doença celíaca ocorre principalmente devido à má absorção crônica de cálcio e vitamina D, resultante da atrofia das vilosidades intestinais no duodeno e jejuno proximal. Além disso, a inflamação sistêmica crônica libera citocinas pró-inflamatórias que estimulam a atividade osteoclástica. Mesmo pacientes celíacos assintomáticos do ponto de vista gastrointestinal podem apresentar redução significativa da densidade mineral óssea, sendo a osteoporose, por vezes, a única manifestação clínica da doença ao diagnóstico.
Além da osteoporose, a doença celíaca pode se manifestar através de: anemia ferropriva (frequentemente refratária à reposição oral), dermatite herpetiforme (lesões bolhosas pruriginosas), hipoplasia do esmalte dentário, baixa estatura em crianças, puberdade atrasada, infertilidade, abortos de repetição, ataxia glúten-induzida, neuropatia periférica e elevação de transaminases (hepatite celíaca).
O tratamento fundamental é a dieta isenta de glúten de forma rigorosa e vitalícia. A adesão à dieta promove a recuperação da mucosa intestinal, normalizando a absorção de cálcio e vitamina D. Na maioria dos pacientes, observa-se um aumento significativo da densidade mineral óssea nos primeiros dois anos de tratamento. No entanto, em adultos diagnosticados tardiamente, a recuperação pode ser incompleta, sendo necessária a suplementação de cálcio/vitamina D e, em alguns casos, terapia farmacológica específica para osteoporose.
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