INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2013
Mulher com 22 anos de idade vem à consulta ambulatorial com diarreia há seis meses. Apresenta cerca de seis evacuações ao dia, com fezes pastosas volumosas, de odor fétido, amareladas e espumosas, sem muco ou sangue. Nega tenesmo ou febre. Piora com a ingestão de leite. Tem cólicas eventuais e distensão abdominal gasosa. Teve perda ponderal de 5 kg desde o início do quadro. É solteira, sem atividade sexual. Nega uso de drogas ou álcool. Nega cirurgias prévias. Ao exame físico apresenta-se com índice de massa corpórea de 22 kg/m². Mucosas hipocrômicas. Evidente perda de massa muscular. Abdome discretamente distendido por gases, sem ascite, visceromegalias ou tumorações. Presença de lesões de pele, de aspecto herpetiforme, em tronco. No relatório, para justificar o encaminhamento da paciente para o especialista, deverá ser especificada a necessidade de que a paciente seja submetida a:
Diarreia crônica + Dermatite Herpetiforme = Doença Celíaca → EDA com biópsia de duodeno.
A presença de síndrome disabsortiva associada a lesões cutâneas herpetiformes é altamente sugestiva de Doença Celíaca, exigindo confirmação histopatológica via endoscopia digestiva alta.
A doença celíaca é uma enteropatia imunomediada desencadeada pela ingestão de glúten em indivíduos geneticamente predispostos (HLA-DQ2/DQ8). O diagnóstico baseia-se no tripé: clínica, sorologia (anti-transglutaminase IgA é o preferencial) e histopatologia. O tratamento é a dieta isenta de glúten por toda a vida, o que geralmente resulta na resolução completa dos sintomas intestinais e das lesões de pele.
A dermatite herpetiforme é a manifestação cutânea patognomônica da doença celíaca. Caracteriza-se por pápulas e vesículas intensamente pruriginosas, de distribuição simétrica, geralmente em superfícies extensoras. Sua presença confirma a sensibilidade ao glúten, mesmo na ausência de sintomas gastrointestinais exuberantes.
A doença celíaca afeta primariamente a mucosa do intestino delgado proximal. A biópsia de duodeno (pelo menos 4 fragmentos, incluindo o bulbo e duodeno distal) é necessária para identificar a atrofia vilosa, hiperplasia de criptas e aumento de linfócitos intraepiteliais (Classificação de Marsh).
A paciente apresenta diarreia crônica alta (volumosa, fétida, amarelada/espumosa sugerindo esteatorreia), perda ponderal, anemia (mucosas hipocrômicas), perda de massa muscular e distensão abdominal gasosa, todos sinais clássicos de má absorção de nutrientes no intestino delgado.
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