UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025
Menina, 9a, apresentou diarreia (oito vezes por dia) que foi tratada como giardíase, sem melhora com albendazol. Durante o período de cinco meses houve perda de peso. Feita investigação no serviço de origem e encaminhada ao serviço especializado. Exames: IgA total = 204 mg/dL; Anticorpo Antitransglutaminase IgA (tTGIga) = 140U. Foi agendada endoscopia digestiva alta para a próxima semana, mas o tratamento já foi iniciado há um mês, com acompanhamento com nutricionista e melhora do hábito intestinal (no máximo três evacuações ao diaBristol 2). A conduta é:
Diagnóstico de Doença Celíaca → Rastrear doenças autoimunes associadas (TSH, T4L e Glicemia).
A Doença Celíaca está frequentemente associada a outras condições autoimunes, como tireoidite de Hashimoto e DM1. Após a suspeita sorológica forte, deve-se investigar essas comorbidades.
A Doença Celíaca é uma enteropatia imuno-mediada desencadeada pela ingestão de glúten em indivíduos geneticamente predispostos. O quadro clínico clássico envolve diarreia crônica, esteatorreia e desnutrição, mas apresentações atípicas são frequentes. A associação com outras doenças autoimunes é um pilar do acompanhamento. O tratamento consiste na dieta isenta de glúten por toda a vida, o que geralmente resulta em remissão clínica e normalização sorológica, além de reduzir o risco de complicações a longo prazo, como linfoma de células T associado à enteropatia.
A Doença Celíaca compartilha uma base genética comum (HLA-DQ2 e DQ8) com outras doenças autoimunes. Pacientes celíacos têm um risco significativamente maior de desenvolver Tireoidite de Hashimoto (hipotireoidismo) e Diabetes Mellitus Tipo 1. Portanto, a triagem com TSH, T4 livre e glicemia de jejum é recomendada no momento do diagnóstico para identificar precocemente essas condições frequentemente assintomáticas no início.
Em crianças e adolescentes, níveis de tTG-IgA superiores a 10 vezes o limite da normalidade, associados a anticorpo anti-endomísio (EMA) positivo em uma segunda amostra, podem permitir o diagnóstico sem biópsia em situações específicas (critérios da ESPGHAN). No entanto, na maioria dos casos e em adultos, a biópsia duodenal via endoscopia continua sendo o padrão-ouro.
A deficiência seletiva de IgA é mais comum em pacientes celíacos do que na população geral. Se um paciente tem deficiência de IgA, os testes baseados em IgA (como tTG-IgA e EMA-IgA) serão falsamente negativos. Nesses casos, devem ser solicitados testes baseados em IgG (tTG-IgG ou DGP-IgG) para uma triagem confiável.
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