FAMENE - Faculdade de Medicina Nova Esperança (PB) — Prova 2026
Uma mulher de 21 anos de idade é examinada pelo seu médico para avaliação de dor abdominal difusa em cólica. Relata a ocorrência de dor abdominal nos últimos anos, porém a dor piorou e agora está associada à diarreia intermitente sem flatulência. Isso não acorda a paciente à noite. As fezes não flutuam e são facilmente levadas com a descarga. Não percebeu nenhum agravamento com alimentos específicos; porém algumas vezes tem exantemas nas pernas. Perdeu cerca de 4,5 kg no ano passado. É saudável nos demais aspectos e não toma nenhuma medicação. Qual é a recomendação mais apropriada neste momento?
Diarreia crônica + perda de peso + exantema (dermatite herpetiforme) → Rastrear Doença Celíaca.
A doença celíaca pode se manifestar com sintomas atípicos e extraintestinais. O rastreio sorológico com antiendomísio ou antitransglutaminase é o passo inicial antes da biópsia duodenal.
A doença celíaca é uma enteropatia imunomediada desencadeada pela ingestão de glúten em indivíduos geneticamente predispostos. O quadro clínico clássico de má absorção (esteatorreia e desnutrição) é hoje menos comum que as formas não clássicas, que incluem dor abdominal, anemia ferropriva refratária e osteopenia. A presença de exantemas (sugerindo dermatite herpetiforme) reforça a suspeita diagnóstica. O diagnóstico baseia-se na combinação de sorologia positiva e achados histopatológicos (classificação de Marsh), sendo o tratamento a dieta isenta de glúten por toda a vida. A investigação deve ser feita antes da retirada do glúten da dieta para não mascarar os resultados sorológicos e histológicos.
O anticorpo antitransglutaminase tecidual (tTG-IgA) é o teste de escolha inicial devido à sua alta sensibilidade e especificidade. O anticorpo antiendomísio (EMA-IgA) possui altíssima especificidade e é frequentemente utilizado para confirmação sorológica. Em pacientes com deficiência de IgA, deve-se solicitar as versões IgG desses anticorpos para evitar resultados falso-negativos.
É uma manifestação cutânea patognomônica da sensibilidade ao glúten, caracterizada por pápulas e vesículas intensamente pruriginosas, geralmente localizadas em superfícies extensoras como cotovelos e joelhos. O diagnóstico é confirmado por biópsia de pele adjacente à lesão mostrando depósitos granulares de IgA nas papilas dérmicas, e o tratamento é a dieta isenta de glúten.
A biópsia de segunda porção duodenal via endoscopia digestiva alta é o padrão-ouro para o diagnóstico em adultos. Ela deve ser realizada quando a sorologia for positiva ou quando houver alta suspeita clínica, mesmo com sorologia negativa. É fundamental que o paciente esteja em uma dieta contendo glúten no momento da biópsia para evitar falsos resultados normais.
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