HAC - Hospital Angelina Caron (PR) — Prova 2022
Mulher, 28 anos, refere diarréia há 06 meses, com 3 a 5 evacuações volumosas e de odor fétido, sem sangue ou muco, melhorando com o jejum, emagrecimento de 10 Kg, dor abdominal em cólica leve e difusa, além de acentuada queda de cabelos e enfraquecimento das unhas. Tem história de ingesta de 01 taça de vinho ao dia há 01 ano, além de anemia há 03 anos. Exames laboratoriais revelam gordura fecal 12g/24h, teste da D-xilose baixa. O diagnóstico e o exame subsidiário necessário para sua confirmação são:
Diarreia crônica + esteatorreia + emagrecimento + anemia + D-xilose baixa → suspeitar doença celíaca, confirmar com sorologia e biópsia.
O quadro clínico da paciente, com diarreia crônica esteatorreica (fezes volumosas, fétidas, melhora com jejum, gordura fecal elevada), perda de peso, anemia e teste da D-xilose baixa, é altamente sugestivo de síndrome de má absorção. A doença celíaca é uma causa comum de má absorção, e a dosagem de anticorpos específicos é o primeiro passo para a confirmação diagnóstica.
A doença celíaca é uma enteropatia autoimune crônica do intestino delgado, desencadeada pela ingestão de glúten em indivíduos geneticamente predispostos. Afeta cerca de 1% da população mundial, mas é frequentemente subdiagnosticada devido à sua ampla gama de apresentações clínicas, que vão desde sintomas gastrointestinais clássicos até manifestações extradigestivas e formas assintomáticas. A fisiopatologia envolve uma resposta imune mediada por células T à gliadina (componente do glúten), resultando em inflamação e atrofia das vilosidades do intestino delgado. Isso leva à má absorção de nutrientes, explicando sintomas como diarreia crônica, esteatorreia, perda de peso, anemia, deficiências vitamínicas e minerais, e manifestações como queda de cabelo e unhas fracas. O teste da D-xilose, que avalia a absorção de monossacarídeos, é um indicador de disfunção da mucosa. O diagnóstico da doença celíaca é feito pela combinação de sintomas clínicos, sorologia (anticorpos anti-transglutaminase tecidual IgA, anti-endomísio IgA e, se necessário, anti-gliadina desaminada IgG) e biópsia do intestino delgado, que revela atrofia vilositária, hiperplasia de criptas e aumento de linfócitos intraepiteliais. O tratamento consiste em uma dieta rigorosa e permanente sem glúten, que leva à recuperação da mucosa intestinal e melhora dos sintomas.
Em adultos, a doença celíaca pode apresentar diarreia crônica, esteatorreia, perda de peso, dor abdominal, anemia ferropriva refratária, fadiga, osteoporose e manifestações dermatológicas como dermatite herpetiforme.
O teste da D-xilose avalia a capacidade de absorção do intestino delgado. Uma absorção baixa de D-xilose sugere disfunção da mucosa intestinal, como ocorre na atrofia vilositária da doença celíaca.
Os principais anticorpos são o anti-transglutaminase tecidual (anti-tTG IgA), anti-endomísio (EMA IgA) e, em casos de deficiência de IgA, o anti-tTG IgG ou anti-gliadina desaminada (DGP IgG).
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