Doença Celíaca Pediátrica: Diagnóstico e Tratamento

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2022

Enunciado

Menino, 15m, é trazido à consulta médica com história de dificuldade para ganhar peso progressiva após os oito meses de vida. A mãe diz que está mais irritado e inapetente, que apresentou aumento das evacuações, com fezes muito fétidas, pálidas, em grande quantidade. Alimentação: leite materno com introdução da dieta da família a partir do sexto mês. Nega infecções recorrentes. Exame físico: Irritado, pálido com peso e altura em queda progressiva na curva de referência. Abdômen: distendido, diminuição de gordura subcutânea e da massa muscular com proeminente hipotrofia de glúteos. Biopsia intestinal: relação vilo/cripta 1:1, linfócitos intraepiteliais e infiltrado de linfócitos e plasmócitos em lâmina própria. O TRATAMENTO A SER INSTITUÍDO É:

Alternativas

Pérola Clínica

Criança com má absorção, falha de crescimento e biópsia intestinal com atrofia vilositária → Doença Celíaca = Dieta sem glúten.

Resumo-Chave

O quadro clínico de má absorção (fezes fétidas, pálidas, volumosas, distensão abdominal, perda de peso) associado à biópsia intestinal com atrofia vilositária (relação vilo/cripta 1:1) e aumento de linfócitos intraepiteliais é diagnóstico de doença celíaca. O tratamento é a exclusão completa do glúten da dieta.

Contexto Educacional

A doença celíaca é uma enteropatia autoimune desencadeada pela ingestão de glúten em indivíduos geneticamente predispostos. É uma condição comum, mas muitas vezes subdiagnosticada, que afeta tanto crianças quanto adultos. A apresentação clínica em pediatria pode variar desde quadros clássicos de má absorção até manifestações atípicas, como baixa estatura, anemia ferropriva refratária e irritabilidade, tornando o diagnóstico um desafio para o residente. A fisiopatologia envolve uma resposta imune mediada por células T à gliadina, uma proteína do glúten, resultando em inflamação e dano à mucosa do intestino delgado. O diagnóstico é baseado na combinação de sintomas clínicos, marcadores sorológicos (anticorpos anti-transglutaminase tecidual IgA) e, crucialmente, na biópsia de duodeno, que revela os achados histopatológicos característicos. A suspeita deve surgir em qualquer criança com falha de crescimento, diarreia crônica ou sintomas gastrointestinais inexplicados. O tratamento consiste na exclusão completa e permanente do glúten da dieta, o que leva à recuperação da mucosa intestinal e à resolução dos sintomas na maioria dos pacientes. A adesão à dieta é fundamental para prevenir complicações a longo prazo, como osteoporose, infertilidade e um risco aumentado de malignidades. O acompanhamento nutricional e médico é essencial para garantir a adesão e monitorar a resposta ao tratamento.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da doença celíaca em crianças?

Em crianças, a doença celíaca manifesta-se com sintomas de má absorção, como diarreia crônica, fezes volumosas e fétidas (esteatorreia), distensão abdominal, dor abdominal, perda de peso ou dificuldade de ganho ponderal, irritabilidade e anemia.

Qual é o achado característico na biópsia intestinal que sugere doença celíaca?

Os achados clássicos na biópsia de duodeno incluem atrofia das vilosidades intestinais, hiperplasia das criptas e aumento do número de linfócitos intraepiteliais. A relação vilo/cripta reduzida (ex: 1:1) é um indicador importante.

Qual é o tratamento definitivo para a doença celíaca?

O tratamento definitivo e único para a doença celíaca é a adesão rigorosa e vitalícia a uma dieta isenta de glúten. Isso permite a recuperação da mucosa intestinal e a remissão dos sintomas.

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