Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2026
Um homem leucodérmico, de 26 anos, procurou atendimento médico por perceber a sua esclera ocular tornar-se amarelada, sem outras queixas. Ao exame físico, confirmou-se a icterícia e sua bilirrubina direta estava em 9 mg/dl, enquanto a indireta era de1,2 mg/dl. Em exames de imagem consecutivos, a ressonância magnética confirmou a doença de Carol, restrita ao segmento VI do fígado, com seu ducto biliar obstruído e sem outras anormalidades hepáticas. Qual é a conduta MAIS adequada nesse paciente?
Doença de Caroli localizada → Ressecção cirúrgica (segmentectomia) é o tratamento definitivo.
A Doença de Caroli é uma dilatação congênita dos ductos biliares intra-hepáticos. Quando localizada em um segmento ou lobo, a ressecção cirúrgica previne complicações como litíase, colangite e malignização.
A Doença de Caroli faz parte do espectro das malformações da placa ductal. O diagnóstico é frequentemente sugerido por ultrassonografia e confirmado por colangiorressonância (MRCP), que demonstra a comunicação das dilatações com a árvore biliar (sinal do ponto central). O manejo depende estritamente da extensão da doença, sendo a cirurgia ressectiva a padrão-ouro para apresentações unilaterais ou segmentares.
A Doença de Caroli (Tipo V da classificação de Todani) é uma condição rara e congênita caracterizada por dilatações saculares ou fusiformes dos ductos biliares intra-hepáticos. Diferencia-se da Síndrome de Caroli, que associa essas dilatações à fibrose hepática congênita. Clinicamente, predispõe à estase biliar, formação de cálculos intra-hepáticos, episódios recorrentes de colangite bacteriana e abscesso hepático, além de um risco significativamente aumentado de colangiocarcinoma.
Quando a Doença de Caroli está restrita a um lobo (frequentemente o esquerdo) ou a segmentos específicos, a hepatectomia parcial ou segmentectomia é considerada curativa. A remoção do tecido afetado elimina o foco de estase biliar e infecção recorrente, além de remover o epitélio biliar displásico, mitigando o risco de transformação maligna para colangiocarcinoma, que ocorre em cerca de 7% a 15% dos pacientes ao longo da vida.
Nos casos em que a dilatação ductal é difusa e acomete ambos os lobos hepáticos, a ressecção cirúrgica parcial não é viável. O tratamento foca no manejo das complicações (antibióticos para colangite, extração de cálculos por CPRE ou via percutânea). Em casos de colangite recorrente intratável ou evolução para cirrose biliar secundária e insuficiência hepática, o transplante de fígado torna-se a única opção therapeutics definitiva.
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