HMASP - Hospital Militar de Área de São Paulo — Prova 2023
Úlceras orais recorrentes, úlceras genitais recorrentes, uveíte, eritema nodoso e teste de patergia positivo são achados típicos na:
Behçet = úlceras orais/genitais recorrentes + uveíte + eritema nodoso + patergia positiva.
A Doença de Behçet é uma vasculite sistêmica crônica e multissistêmica, caracterizada por inflamação recorrente de vasos sanguíneos de diversos calibres. A tríade clássica de úlceras orais, úlceras genitais e uveíte, juntamente com o teste de patergia positivo, são pilares diagnósticos.
A Doença de Behçet é uma vasculite sistêmica crônica de etiologia desconhecida, caracterizada por inflamação recorrente de vasos sanguíneos de diversos calibres, afetando múltiplos órgãos e sistemas. É mais prevalente em países ao longo da antiga Rota da Seda, com pico de incidência entre 20 e 40 anos. Seu reconhecimento precoce é vital devido ao potencial de lesões orgânicas graves, especialmente oculares e neurológicas. A fisiopatologia envolve uma resposta imune desregulada, com ativação de células T e neutrófilos, e produção de citocinas pró-inflamatórias. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios internacionais, que incluem úlceras orais recorrentes como critério principal, acompanhadas de úlceras genitais, lesões oculares (uveíte), lesões cutâneas (eritema nodoso, pseudofoliculite) e/ou teste de patergia positivo. Não há um marcador laboratorial específico. O tratamento da Doença de Behçet visa controlar a inflamação e prevenir danos orgânicos. A escolha da terapia depende da gravidade e das manifestações clínicas, podendo incluir corticosteroides, imunossupressores (azatioprina, metotrexato, ciclosporina) e agentes biológicos (anti-TNFα) para casos refratários ou com envolvimento ocular/neurológico grave. O prognóstico varia conforme o envolvimento dos órgãos.
Os critérios diagnósticos para a Doença de Behçet incluem úlceras orais recorrentes (critério obrigatório), associadas a pelo menos dois dos seguintes: úlceras genitais recorrentes, lesões oculares (uveíte), lesões cutâneas (eritema nodoso, pseudofoliculite) ou teste de patergia positivo.
O teste de patergia é uma reação cutânea de hipersensibilidade inespecífica, onde uma pápula ou pústula se forma 24-48 horas após uma picada de agulha estéril na pele. Sua positividade é um critério diagnóstico importante para a Doença de Behçet, refletindo a hiperreatividade inflamatória.
A uveíte é a manifestação ocular mais comum e grave na Doença de Behçet, podendo ser anterior, posterior ou panuveíte. Pode levar a complicações como hipópio, vasculite retiniana e perda visual, sendo um fator prognóstico importante.
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