HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2025
E.N.F., 27 anos de idade, vem ao pronto-socorro ginecológico queixando-se de úlcera genital dolorosa em lábio menor de cerca de 1 cm, sem padrão vesiculoso. Refere úlceras aftosas recorrentes no último ano, além de diagnóstico prévio de uveíte.De acordo com o caso clínico, assinale a alternativa que apresenta o provável diagnóstico.
Úlcera genital + úlceras aftosas recorrentes + uveíte = Doença de Behçet.
A tríade clássica de úlceras orais recorrentes, úlceras genitais e uveíte é altamente sugestiva de Doença de Behçet, uma vasculite sistêmica crônica. A presença de úlcera genital dolorosa, sem padrão vesiculoso, em um paciente com histórico de aftas recorrentes e uveíte, aponta fortemente para este diagnóstico.
A Doença de Behçet é uma vasculite sistêmica crônica de etiologia desconhecida, caracterizada por inflamação recorrente de vasos sanguíneos de diversos calibres, resultando em uma ampla gama de manifestações clínicas. É mais prevalente na "Rota da Seda", que se estende do Mediterrâneo ao Extremo Oriente. O diagnóstico da Doença de Behçet é clínico, baseado em critérios que incluem úlceras orais recorrentes (critério obrigatório) e a presença de pelo menos dois dos seguintes: úlceras genitais recorrentes, lesões oculares (uveíte, vasculite retiniana), lesões cutâneas (eritema nodoso, pseudofoliculite) ou teste de patergia positivo. No caso clínico apresentado, a paciente manifesta a tríade clássica: úlcera genital dolorosa, úlceras aftosas orais recorrentes e uveíte, o que torna o diagnóstico de Behçet altamente provável. O manejo da Doença de Behçet é complexo e visa controlar a inflamação e prevenir danos aos órgãos, especialmente os olhos e o sistema nervoso central. O tratamento pode envolver corticosteroides, imunossupressores (como azatioprina, ciclosporina) e agentes biológicos (como infliximabe) para casos mais graves ou refratários. O acompanhamento multidisciplinar é essencial devido ao caráter sistêmico da doença e à variedade de órgãos que podem ser afetados.
Os critérios incluem úlceras orais recorrentes (critério maior), associadas a pelo menos dois dos seguintes: úlceras genitais recorrentes, lesões oculares (uveíte), lesões cutâneas (eritema nodoso, pseudofoliculite) ou teste de patergia positivo.
As úlceras de Behçet são tipicamente dolorosas, com fundo limpo e bordas bem definidas, mas não vesiculosas. A diferenciação se faz principalmente pela presença de outras manifestações sistêmicas, como as úlceras orais e a uveíte, que são incomuns em outras etiologias de úlceras genitais.
As manifestações oculares incluem uveíte anterior ou posterior, vasculite retiniana e hipópio. A uveíte pode levar a complicações graves e perda de visão se não tratada adequadamente, sendo uma das causas mais sérias de morbidade.
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