Doença de Behçet: Diagnóstico de Úlceras Orais e Genitais

AMS - Autarquia Municipal de Saúde de Apucarana (PR) — Prova 2021

Enunciado

Mulher, 50 anos, G3P2A1, menopausada há 3anos em uso de isoflavona, apresenta lesões ulceradas, dolorosas em região genital. Refere apresentar lesões orais semelhantes já há alguns anos. Ao exame físico apresenta lesão ulcerada em grandes lábios com fundo necrótico e hiperemia local. Exames complementares realizados: VDRL (negativo), HIV (negativo), Gram e citologia da lesão (inespecífico). O diagnóstico mais provável é:

Alternativas

  1. A) Cancro mole.
  2. B) Sífilis primária.
  3. C) Doença de Behçet.
  4. D) Síndrome de Reiter.

Pérola Clínica

Úlceras orais + genitais recorrentes + exames DST negativos → suspeitar Doença de Behçet.

Resumo-Chave

A Doença de Behçet é uma vasculite sistêmica crônica caracterizada pela tríade de úlceras orais recorrentes, úlceras genitais e lesões oculares. A presença de úlceras orais e genitais dolorosas e recorrentes, com exames para DSTs negativos, é altamente sugestiva, especialmente em pacientes com outras manifestações sistêmicas.

Contexto Educacional

A Doença de Behçet é uma vasculite sistêmica crônica e multissistêmica de etiologia desconhecida, caracterizada por inflamação recorrente de vasos sanguíneos de todos os calibres. É mais prevalente na "Rota da Seda", incluindo o Mediterrâneo e o Leste Asiático. A apresentação clínica é altamente variável, mas a tríade clássica envolve úlceras orais recorrentes, úlceras genitais e lesões oculares, sendo as úlceras orais um critério obrigatório para o diagnóstico. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios internacionais, e requer a exclusão de outras causas de úlceras, especialmente infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). A presença de úlceras genitais dolorosas com fundo necrótico, associadas a úlceras orais semelhantes e recorrentes, em um contexto de exames para ISTs negativos, é altamente sugestiva de Behçet. Outras manifestações podem incluir lesões cutâneas (eritema nodoso, pseudofoliculite), artrite, envolvimento gastrointestinal, neurológico e vascular (trombose). O tratamento visa controlar a inflamação e prevenir danos aos órgãos, sendo individualizado de acordo com a gravidade e as manifestações clínicas. Corticosteroides, imunossupressores (como azatioprina, metotrexato) e agentes biológicos (anti-TNF) são frequentemente utilizados. O prognóstico varia, mas o envolvimento ocular e neurológico pode levar a sequelas graves, como cegueira e incapacidade.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para a Doença de Behçet?

Os critérios incluem úlceras orais recorrentes (critério obrigatório) mais dois dos seguintes: úlceras genitais recorrentes, lesões oculares (uveíte), lesões cutâneas (eritema nodoso, pseudofoliculite) ou teste de patergia positivo.

Como diferenciar as úlceras genitais da Doença de Behçet de outras causas?

As úlceras de Behçet são tipicamente dolorosas, com fundo necrótico, e recorrentes. O diagnóstico diferencial envolve excluir ISTs (sífilis, herpes, cancro mole) e outras condições autoimunes, sendo a recorrência e a associação com úlceras orais e outras manifestações sistêmicas chaves.

Quais são as manifestações sistêmicas mais graves da Doença de Behçet?

A Doença de Behçet pode afetar múltiplos sistemas, incluindo o ocular (uveíte, cegueira), neurológico (meningoencefalite, trombose de seios durais), vascular (trombose arterial e venosa) e gastrointestinal (úlceras intestinais), com potencial de morbidade significativa.

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