Doença de Behçet: Diagnóstico de Úlceras Orais, Genitais e Uveíte

UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2024

Enunciado

Jovem, sexo feminino, com 17 anos de idade, coitarca aos 16 anos, 1 parceiro sexual nos últimos 12 meses, apresentando história de episódio recente de mal-estar geral e estado gripal e reclama de aparecimento de feridas dolorosas não sangrantes em genitais e na boca. Na avaliação do oftalmologista foi diagnosticada uma Uveíte. Relata que há 1 ano teve episódio semelhante. Paciente nega outros sintomas precedendo o quadro clinico atual e nega lesões em outras partes do corpo. Diante deste quadro a principal hipótese diagnóstica é.

Alternativas

  1. A) Linfogranuloma venéreo
  2. B) Donovanose
  3. C) Doença de Behçet
  4. D) Escorbuto
  5. E) Cancro mole

Pérola Clínica

Úlceras orais + genitais recorrentes + uveíte = Doença de Behçet.

Resumo-Chave

A Doença de Behçet é uma vasculite sistêmica crônica e recorrente, caracterizada por úlceras orais e genitais recorrentes, e frequentemente associada a manifestações oculares (uveíte), cutâneas (eritema nodoso, pseudofoliculite) e articulares. O quadro de mal-estar geral e estado gripal pode preceder as exacerbações. A recorrência dos sintomas é um achado chave.

Contexto Educacional

A Doença de Behçet é uma vasculite sistêmica crônica de etiologia desconhecida, caracterizada por inflamação recorrente de vasos sanguíneos de todos os calibres. É mais comum em países ao longo da antiga Rota da Seda, com pico de incidência entre 20 e 40 anos, mas pode afetar adolescentes. A importância clínica reside na sua natureza multissistêmica e na possibilidade de complicações graves, como cegueira (por uveíte) e tromboses. A fisiopatologia envolve uma desregulação imune, com ativação de células T e neutrófilos, e produção de citocinas pró-inflamatórias. O diagnóstico é clínico, baseado em critérios internacionais, sendo as úlceras orais recorrentes um critério obrigatório. A presença de úlceras genitais dolorosas e não sangrantes, juntamente com uveíte (inflamação da úvea ocular), é altamente sugestiva. O teste de patergia, que avalia a hiperreatividade cutânea, pode ser positivo. O tratamento da Doença de Behçet visa controlar a inflamação e prevenir danos aos órgãos, sendo individualizado de acordo com as manifestações clínicas. Corticosteroides, imunossupressores (como azatioprina, metotrexato) e agentes biológicos (como inibidores de TNF-alfa) são frequentemente utilizados. O prognóstico varia, mas o manejo precoce e agressivo das manifestações oculares e neurológicas é crucial para preservar a função e a qualidade de vida do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios diagnósticos para a Doença de Behçet?

Os critérios incluem úlceras orais recorrentes (critério obrigatório), mais dois dos seguintes: úlceras genitais recorrentes, lesões oculares (uveíte), lesões cutâneas (eritema nodoso, pseudofoliculite) ou teste de patergia positivo.

Qual a importância da uveíte na Doença de Behçet?

A uveíte é uma manifestação ocular comum e grave na Doença de Behçet, podendo levar à perda visual se não tratada adequadamente. Sua presença é um critério diagnóstico importante.

Como diferenciar a Doença de Behçet de outras causas de úlceras genitais?

A Behçet se diferencia pela recorrência das úlceras orais e genitais, a presença de outras manifestações sistêmicas (especialmente uveíte) e a ausência de agentes infecciosos comuns de ISTs.

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