IHOA - Instituto e Hospital Oftalmológico de Anápolis (GO) — Prova 2022
Uma paciente de 52 anos, G2P2, menopausada há 5 anos, apresenta úlcera genital dolorosa, de fundo necrótico, com hiperemia local. Tem histórico de apresentar lesões orais como "aftas" (SIC) recorrentemente. O clínico geral solicitou alguns exames complementares, a saber: VDRL (negativo), HIV (negativo), Gram e citologia da lesão (inespecífico). O diagnóstico mais provável é:
Behçet: Úlceras orais + genitais recorrentes + exames inespecíficos → suspeitar de vasculite sistêmica.
A Doença de Behçet é uma vasculite sistêmica crônica caracterizada por úlceras orais e genitais recorrentes, além de outras manifestações cutâneas, oculares, articulares e neurológicas. O diagnóstico é clínico, baseado em critérios específicos, e a exclusão de outras causas infecciosas é fundamental.
A Doença de Behçet é uma vasculite sistêmica crônica de etiologia desconhecida, mais prevalente em países ao longo da Rota da Seda. É uma condição importante para o residente devido à sua natureza multissistêmica e à necessidade de um alto índice de suspeita para o diagnóstico, especialmente em casos de úlceras recorrentes que não respondem ao tratamento convencional ou com exames negativos para causas infecciosas comuns. A doença pode afetar diversos órgãos, incluindo pele, mucosas, olhos, articulações, sistema nervoso central e vasos sanguíneos, podendo levar a complicações graves se não diagnosticada e tratada precocemente. A fisiopatologia envolve uma resposta inflamatória desregulada, com ativação de neutrófilos e linfócitos T, resultando em vasculite de pequenos e grandes vasos. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado nos critérios internacionais para a Doença de Behçet (ICBD), que consideram a presença de úlceras orais recorrentes e outras manifestações. A exclusão de outras causas, como infecções sexualmente transmissíveis (sífilis, herpes), é crucial para evitar diagnósticos errôneos e atrasos no tratamento adequado. O tratamento da Doença de Behçet visa controlar a inflamação e prevenir danos aos órgãos, sendo individualizado de acordo com as manifestações clínicas. Pode incluir corticosteroides, imunossupressores (como azatioprina, ciclosporina) e agentes biológicos (como infliximabe). O prognóstico varia, mas o reconhecimento precoce e o manejo agressivo das manifestações graves, como as oculares e neurológicas, são fundamentais para preservar a função e melhorar a qualidade de vida do paciente.
Os critérios diagnósticos para a Doença de Behçet incluem úlceras orais recorrentes (critério obrigatório), mais dois dos seguintes: úlceras genitais recorrentes, lesões oculares (uveíte), lesões cutâneas (eritema nodoso, pseudofoliculite) ou teste de patergia positivo.
A diferenciação é feita pela história clínica de recorrência e pela exclusão de outras causas infecciosas através de exames laboratoriais como VDRL, HIV, cultura e Gram da lesão. As úlceras de Behçet são tipicamente dolorosas, de fundo necrótico e podem ser múltiplas.
As úlceras orais recorrentes são consideradas um critério maior e essencial para o diagnóstico da Doença de Behçet, estando presentes em quase todos os pacientes. Sua presença, associada a outras manifestações, direciona a investigação para essa vasculite sistêmica.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo