CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2025
Paciente, em investigação de episódios recorrentes de uveíte anterior, desenvolve úlceras oro-genitais e eritema nodoso cutâneo. A positividade de qual dos testes abaixo melhor reforçaria a principal suspeita diagnóstica?
Úlceras orais + genitais + uveíte + patergia (+) = Doença de Behçet.
A Doença de Behçet é uma vasculite sistêmica de vasos de calibre variável, caracterizada clinicamente pela tríade de úlceras orais, genitais e uveíte, onde o teste de patergia demonstra a hipersensibilidade cutânea característica.
A Doença de Behçet é uma condição inflamatória crônica de etiologia desconhecida, classificada como uma vasculite que pode afetar artérias e veias de todos os tamanhos. É mais prevalente em populações ao longo da 'Rota da Seda' (do Mediterrâneo ao Japão). O manejo clínico foca no controle da inflamação e prevenção de surtos, utilizando colchicina para lesões mucocutâneas e imunossupressores ou biológicos (como anti-TNF) para manifestações oculares, neurológicas ou vasculares graves. O reconhecimento precoce da tríade clínica é fundamental para evitar sequelas permanentes.
O teste de patergia é um procedimento diagnóstico que avalia a hipersensibilidade cutânea inespecífica a um trauma mínimo. Consiste na inserção de uma agulha estéril na derme do antebraço; a leitura é feita após 24 a 48 horas. O teste é considerado positivo se houver a formação de uma pápula eritematosa ou pústula no local da punção. Embora tenha alta especificidade para a Doença de Behçet, sua sensibilidade varia significativamente entre diferentes populações geográficas.
O diagnóstico é eminentemente clínico. Segundo o International Study Group, o critério obrigatório é a presença de úlceras orais recorrentes (pelo menos 3 vezes em 12 meses), associadas a pelo menos dois dos seguintes: úlceras genitais recorrentes, lesões oculares (uveíte ou vasculite retiniana), lesões cutâneas (eritema nodoso, pseudofoliculite) ou teste de patergia positivo.
A uveíte é uma das manifestações mais graves da Doença de Behçet, podendo levar à cegueira se não tratada. Geralmente é uma panuveíte bilateral e recorrente. A presença de hipópio (nível de leucócitos na câmara anterior) é um achado clássico, embora não patognomônico, refletindo a intensa inflamação ocular característica desta vasculite.
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