Doença de Behçet Pediátrica: Diagnóstico e Sinais Chave

HE Jayme Neves - Hospital Escola Jayme dos Santos Neves (ES) — Prova 2021

Enunciado

Uma paciente de 10 anos é hospitalizada por dor abdominal e pelo ressurgimento de úlceras dolorosas e rasas, com eritema circundante, comprometendo mucosa bucal, gengiva, lábios e língua. Observam-se, ainda, úlceras genitais em grandes lábios. Também apresenta dores, hiperemia e edema em joelho direito e tornozelo esquerdo que recorrem a cada 15 dias. O mais provável diagnóstico desta paciente é:

Alternativas

  1. A) Dermatomiosite juvenil.
  2. B) Doença de Behçet.
  3. C) Síndrome inflamatória multissistêmica.
  4. D) Síndrome de Sjögren.
  5. E) Síndrome de Kawasaki.

Pérola Clínica

Úlceras orais + genitais recorrentes + artrite em criança → suspeitar de Doença de Behçet.

Resumo-Chave

A Doença de Behçet é uma vasculite sistêmica crônica e multissistêmica, caracterizada pela tríade clássica de úlceras orais recorrentes, úlceras genitais e lesões oculares. Em crianças, as manifestações podem ser atípicas ou incompletas inicialmente, mas úlceras recorrentes e artrite são pistas importantes.

Contexto Educacional

A Doença de Behçet é uma vasculite sistêmica crônica de etiologia desconhecida, caracterizada por inflamação recorrente de vasos sanguíneos de todos os calibres. É mais comum em países ao longo da antiga Rota da Seda, mas pode ocorrer globalmente. Embora tipicamente diagnosticada em adultos jovens, o início pediátrico não é raro e pode apresentar desafios diagnósticos devido à variabilidade das manifestações. A fisiopatologia envolve uma resposta imune desregulada, com inflamação mediada por células T e neutrófilos. As manifestações clínicas são multissistêmicas, incluindo úlceras orais e genitais recorrentes, lesões cutâneas (eritema nodoso, pseudofoliculite), envolvimento ocular (uveíte anterior e posterior), artrite não-erosiva, envolvimento gastrointestinal (úlceras semelhantes à doença de Crohn), e envolvimento neurológico e vascular. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios internacionais para a Doença de Behçet (ICBD). O tratamento visa controlar a inflamação e prevenir danos orgânicos. Inclui corticosteroides, imunossupressores (azatioprina, metotrexato, ciclosporina) e, em casos refratários, agentes biológicos (anti-TNF, como infliximabe ou adalimumabe). O prognóstico varia de acordo com o envolvimento orgânico, sendo as complicações oculares e neurológicas as mais preocupantes.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios diagnósticos para a Doença de Behçet?

Os critérios diagnósticos para Doença de Behçet incluem úlceras orais recorrentes, úlceras genitais recorrentes, lesões oculares (uveíte), lesões cutâneas (eritema nodoso, pseudofoliculite) e teste de patergia positivo.

A Doença de Behçet pode afetar crianças?

Sim, a Doença de Behçet pode ter início pediátrico, embora seja mais comum em adultos jovens. As manifestações em crianças podem ser semelhantes às dos adultos, mas o diagnóstico pode ser mais desafiador devido à apresentação incompleta inicial.

Quais são as complicações mais graves da Doença de Behçet?

As complicações mais graves da Doença de Behçet incluem cegueira por uveíte, aneurismas arteriais, tromboses venosas, envolvimento do sistema nervoso central (neuro-Behçet) e envolvimento gastrointestinal grave.

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