CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2015
Homem jovem apresenta-se com uveíte anterior bilateral com hipópio e vasculite retiniana, associadas a úlceras orogenitais e eritema nodoso. A positividade de qual teste reforçaria o diagnóstico deste caso?
Úlceras orais + genitais + Uveíte com hipópio + Patergia (+) = Doença de Behçet.
A Doença de Behçet é uma vasculite multissistêmica de vasos de calibre variável, caracterizada por hipersensibilidade cutânea (patergia) e inflamação ocular grave.
A Doença de Behçet é uma vasculite sistêmica idiopática que afeta artérias e veias de todos os tamanhos. É mais comum em populações ao longo da antiga 'Rota da Seda' (do Mediterrâneo ao Japão). A fisiopatologia envolve uma resposta inflamatória neutrofílica exacerbada, o que explica tanto o hipópio quanto a positividade no teste da patergia. O quadro clínico clássico apresentado na questão — homem jovem com úlceras orogenitais, eritema nodoso e uveíte com hipópio — é altamente sugestivo. O teste da patergia reforça o diagnóstico ao demonstrar a característica hiper-reatividade cutânea da doença. O tratamento envolve corticoides e imunossupressores (como azatioprina, ciclosporina ou anti-TNF) para prevenir danos orgânicos permanentes, especialmente a perda visual.
O teste da patergia consiste na indução de uma resposta inflamatória exacerbada na pele após um pequeno trauma (picada de agulha estéril). O teste é considerado positivo se surgir uma pápula ou pústula no local da punção após 24 a 48 horas. É um marcador de hiper-reatividade tecidual muito específico para a Doença de Behçet, embora sua sensibilidade varie conforme a etnia do paciente.
A manifestação mais característica é a uveíte anterior bilateral e recorrente, frequentemente acompanhada de hipópio (coleção de pus na câmara anterior do olho), que é tipicamente 'móvel'. Além disso, pode ocorrer vasculite retiniana, que é uma complicação grave e pode levar à cegueira se não tratada precocemente com imunossupressão agressiva.
O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado em critérios como os do International Study Group (ISG). O critério obrigatório é a presença de úlceras orais recorrentes (pelo menos 3 vezes em um ano), associadas a pelo menos dois dos seguintes: úlceras genitais recorrentes, lesões oculares (uveíte, vasculite), lesões cutâneas (eritema nodoso, pseudofoliculite) ou teste da patergia positivo.
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