Doença de Behçet: Diagnóstico e Manifestações Clínicas

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2022

Enunciado

Uma paciente de 28 anos apresenta úlceras orais dolorosas há dois anos e mais recentemente passou a se queixar de borramento visual, lesões em membros inferiores e episódios de hemoptise. A investigação detectou panuveíte, eritema nodoso e aneurismas em ramos da artéria pulmonar. Qual o diagnóstico mais provável para esse caso?

Alternativas

  1. A) Doença de Goodpasture (doença antimembrana basal glomerular)
  2. B) Granulomatose com poliangeíte (Granulomatose de Wegener)
  3. C) Doença de Behçet
  4. D) Sífilis
  5. E) Crioglobulinemia

Pérola Clínica

Doença de Behçet: úlceras orais/genitais + uveíte + lesões cutâneas + vasculite sistêmica (aneurismas pulmonares).

Resumo-Chave

A Doença de Behçet é uma vasculite sistêmica que se manifesta com úlceras orais e genitais recorrentes, lesões cutâneas (eritema nodoso), uveíte e, em casos graves, acometimento vascular, neurológico e gastrointestinal. A presença de aneurismas em artérias pulmonares com hemoptise é uma manifestação grave e característica.

Contexto Educacional

A Doença de Behçet é uma vasculite sistêmica crônica, inflamatória e multissistêmica de etiologia desconhecida, mais prevalente em países ao longo da Rota da Seda. É caracterizada por inflamação de vasos de todos os calibres, com predileção por vênulas e arteríolas, mas podendo afetar grandes vasos. A importância clínica reside na sua capacidade de causar danos irreversíveis a múltiplos órgãos, especialmente olhos, sistema nervoso central e vasos sanguíneos. O diagnóstico é clínico, baseado em critérios que incluem úlceras orais recorrentes (critério obrigatório), úlceras genitais, lesões oculares (uveíte, vasculite retiniana), lesões cutâneas (eritema nodoso, pseudofoliculite) e o fenômeno de patergia. A suspeita deve surgir em pacientes jovens com úlceras orais recorrentes e outras manifestações sistêmicas inexplicadas. O acometimento pulmonar, como aneurismas de artéria pulmonar, é uma complicação grave e potencialmente fatal. O tratamento da Doença de Behçet é individualizado e visa controlar a inflamação e prevenir danos aos órgãos. Inclui corticosteroides, imunossupressores (azatioprina, metotrexato, ciclosporina) e, mais recentemente, agentes biológicos (anti-TNF, inibidores de IL-1/IL-6) para casos refratários ou com acometimento grave. O prognóstico varia conforme a extensão e gravidade do acometimento orgânico, sendo o envolvimento vascular e neurológico associado a maior morbimortalidade.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para Doença de Behçet?

Os critérios incluem úlceras orais recorrentes, úlceras genitais, lesões oculares (uveíte), lesões cutâneas (eritema nodoso, pseudofoliculite) e teste de patergia positivo.

Quais são as manifestações pulmonares da Doença de Behçet?

As manifestações pulmonares incluem aneurismas de artéria pulmonar, trombose de vasos pulmonares, infiltrados pulmonares e pleurisia, podendo levar a hemoptise grave.

Como diferenciar Doença de Behçet de outras vasculites?

A combinação de úlceras orais e genitais recorrentes, uveíte e o fenômeno de patergia são altamente sugestivos de Behçet, diferenciando-a de outras vasculites sistêmicas.

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