CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2019
Paciente em investigação de alterações cutâneas/ mucosas (Figura A) e dores articulares apresenta os achados oculares abaixo (Figura B: segmento anterior; Figura C: periferia retiniana). Qual achado reforçaria o diagnóstico mais provável?
Behçet = Úlceras orais + Hipópio móvel + Vasculite retiniana + Patergia (+).
A Doença de Behçet é uma vasculite multissistêmica idiopática. O teste de patergia positivo reflete a hipersensibilidade cutânea característica e auxilia no diagnóstico clínico.
A Doença de Behçet é uma vasculite de vasos de todos os calibres, caracterizada por episódios recorrentes de inflamação. O diagnóstico baseia-se nos critérios do International Study Group, exigindo úlceras orais recorrentes mais dois dos seguintes: úlceras genitais, lesões cutâneas, lesões oculares ou teste de patergia positivo. O manejo oftalmológico é crítico, pois a uveíte posterior e a vasculite são as principais causas de morbidade visual. O tratamento geralmente envolve imunossupressão sistêmica (corticosteroides, azatioprina, ciclosporina ou agentes anti-TNF) para prevenir crises recorrentes que causam danos cumulativos à retina e ao nervo óptico.
O teste de patergia é um exame clínico que avalia a hiper-reatividade cutânea a um trauma mínimo. Consiste na inserção de uma agulha estéril na derme do antebraço; o teste é considerado positivo se uma pápula ou pústula eritematosa se formar no local da punção após 24 a 48 horas. É um critério diagnóstico importante para a Doença de Behçet, embora sua sensibilidade varie entre diferentes populações (maior em países da Rota da Seda).
A manifestação ocular mais característica é a uveíte bilateral e recorrente. No segmento anterior, destaca-se o hipópio móvel (que muda de posição com a inclinação da cabeça). No segmento posterior, ocorre uma vasculite retiniana oclusiva severa, frequentemente envolvendo tanto artérias quanto veias, podendo levar a hemorragias, edema macular e atrofia óptica se não tratada agressivamente.
O alelo HLA-B51 é o marcador genético mais fortemente associado à Doença de Behçet, especialmente em pacientes de ascendência mediterrânea e asiática. Embora sua presença aumente o risco relativo da doença e possa estar associada a um curso clínico mais grave (especialmente ocular), ele não é necessário nem suficiente para o diagnóstico, que permanece eminentemente clínico.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo