UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2025
A análise do sedimento urinário pode auxiliar no esclarecimento da etiologia da insuficiência renal aguda. Pode-se afirmar, neste contexto, que a presença de eosinofilúria sugere:
Eosinofilúria + Livedo reticularis + Pós-cateterismo → Doença Ateroembólica.
A presença de eosinófilos na urina é um marcador de inflamação alérgica ou microvascular renal, sendo clássica na Nefrite Intersticial Aguda (NIA) e na Doença Ateroembólica.
A análise do sedimento urinário é uma ferramenta diagnóstica poderosa na Insuficiência Renal Aguda (IRA). Enquanto cilindros granulosos pigmentados sugerem Necrose Tubular Aguda (NTA), a presença de eosinófilos (detectada preferencialmente pela coloração de Hansel) aponta para processos inflamatórios específicos. A Doença Ateroembólica ocorre pela oclusão de pequenas artérias renais por cristais de colesterol. A reação inflamatória sistêmica desencadeada por esses cristais frequentemente resulta em eosinofilia periférica e eosinofilúria. É uma causa importante de perda de função renal em idosos submetidos a procedimentos endovasculares, apresentando um prognóstico renal muitas vezes reservado.
O gatilho mais comum é a manipulação arterial invasiva, como cateterismo cardíaco ou arteriografias, que desloca cristais de colesterol de placas ateroscleróticas para a microcirculação renal.
Clinicamente, o paciente pode apresentar livedo reticularis, síndrome do 'dedo azul' (isquemia digital com pulsos presentes) e placas de Hollenhorst na fundoscopia. Laboratorialmente, pode haver hipocomplementemia.
A NIA costuma ter relação temporal com novos fármacos (ex: AINEs, antibióticos) e pode vir com rash cutâneo e febre. A Doença Ateroembólica ocorre em vasculopatas após procedimentos vasculares e tem curso mais arrastado.
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