UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025
Mulher, 57a, comparece à Unidade Básica de Saúde com queixa de dor em panturrilha esquerda para deambular em torno de três quarteirões há cinco meses. A dor inicia após dois quarteirões e vai aumentando de intensidade até obrigá-la a parar de andar porque a perna trava. Antecedentes: diabetes melito controlado com hipoglicemiantes orais, cessou o tabagismo há 10 anos após episódio de isquemia miocárdica. Exame físico: pulso femoral presente, poplíteo e distais ausentes no membro inferior esquerdo, presentes à direita.PARA OBTER MAIOR GANHO DE DISTÂNCIA DE MARCHA NESTA PACIENTE, A RECOMENDAÇÃO É:
Claudicação intermitente + pulsos distais ausentes → DAP. Tratamento inicial: exercício supervisionado.
A paciente apresenta claudicação intermitente, um sintoma clássico de Doença Arterial Periférica (DAP), evidenciada pela dor em panturrilha ao esforço e pulsos distais ausentes. O tratamento inicial para ganho de distância de marcha é o programa de exercícios físicos supervisionados.
A Doença Arterial Periférica (DAP) é uma manifestação comum da aterosclerose sistêmica, caracterizada pela obstrução do fluxo sanguíneo nas artérias dos membros, mais frequentemente os inferiores. A claudicação intermitente, como apresentada na paciente, é o sintoma clássico, definido por dor muscular induzida pelo exercício e aliviada pelo repouso. A epidemiologia da DAP está fortemente ligada aos fatores de risco cardiovasculares, como diabetes, tabagismo (mesmo cessado), hipertensão e dislipidemia, todos presentes na paciente. A importância clínica reside no alto risco de eventos cardiovasculares maiores (infarto, AVC) e na progressão para isquemia crítica de membros. A fisiopatologia da claudicação intermitente envolve a incapacidade do fluxo sanguíneo arterial de suprir a demanda metabólica dos músculos durante o exercício, devido à estenose ou oclusão arterial. O diagnóstico é clínico, baseado na história e exame físico (pulsos ausentes, sopros, alterações tróficas), e confirmado por exames como o índice tornozelo-braquial (ITB) e ultrassonografia Doppler. A suspeita deve ser alta em pacientes com fatores de risco e queixas de dor em membros inferiores ao caminhar. O tratamento da DAP com claudicação intermitente visa aliviar os sintomas, melhorar a distância de marcha e reduzir o risco cardiovascular. A primeira linha de tratamento é o controle agressivo dos fatores de risco e um programa de exercícios físicos supervisionados, que comprovadamente aumenta a distância de marcha e a qualidade de vida. Medicamentos como cilostazol podem ser considerados. A revascularização é reservada para casos refratários ou isquemia crítica. Para o residente, é crucial entender que o manejo conservador e a modificação do estilo de vida são pilares fundamentais antes de considerar intervenções mais invasivas.
Os principais fatores de risco incluem tabagismo, diabetes mellitus, hipertensão arterial sistêmica, dislipidemia, idade avançada e histórico familiar de doença cardiovascular.
A conduta inicial envolve o controle rigoroso dos fatores de risco cardiovascular (cessação do tabagismo, controle glicêmico, pressórico e lipídico) e a implementação de um programa de exercícios físicos supervisionados, que é a intervenção mais eficaz para aumentar a distância de marcha.
A revascularização (endovascular ou cirúrgica) é geralmente reservada para pacientes com claudicação limitante que não respondem ao tratamento clínico otimizado e ao programa de exercícios, ou para casos de isquemia crítica de membros (dor em repouso, úlceras tróficas, gangrena).
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