Tratamento da Doença Arterial Periférica e Claudicação

SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2025

Enunciado

Homem, 68 anos de idade, tabagista de longa data e com hipertensão arterial sistêmica, comparece à Unidade Básica de Saúde com queixa de dor nas panturrilhas ao caminhar cerca de 200 metros, que melhora com repouso após alguns minutos. Ele relata que a dor está piorando, progressivamente, nos últimos meses. Não tem história prévia de diabetes ou eventos cardiovasculares graves. Ao exame físico, os pulsos femorais são palpáveis, mas os pulsos poplíteos e tibiais posteriores estão ausentes bilateralmente. Há perda moderada de pelos nas pernas e pele fina com aspecto atrófico. Realizada investigação inicial, com índice tornozelo-braquial de 0,55 à direita e 0,58 à esquerda.\n\nO tratamento inicial mais adequado para esse paciente envolve:

Alternativas

  1. A) Revascularização cirúrgica dos membros inferiores.
  2. B) Cilostazol, vitamina E e controle glicêmico rigoroso.
  3. C) Anticoagulação oral, pentoxifilina e controle da pressão arterial.
  4. D) Estatina, antiagregante plaquetário e exercícios supervisionados. Situação-Problema: Questões de 10 a 12. Homem, 58 anos de idade, com histórico de etilismo (80 g/dia por 30 anos) e cirrose hepática diagnosticada há 2 anos, apresenta-se ao ambulatório com ascite moderada, asterixis, icterícia e relato de dois episódios prévios de encefalopatia hepática. Faz uso de lactulose. Exames revelam bilirrubina total: 5,4 mg/dL, albumina sérica: 2,2 g/dL, creatinina: 1,6 mg/dL, INR: 2,1, sódio: 127 mEq/L. Ultrassonografia abdominal mostra fígado de contornos irregulares e ausência de nódulos.

Pérola Clínica

DAP estável → Estatina + Antiagregante + Exercício Supervisionado (Tratamento Clínico Otimizado).

Resumo-Chave

O tratamento inicial da claudicação intermitente foca na redução do risco cardiovascular global e na melhora funcional através de medidas clínicas e exercícios, reservando a cirurgia para casos refratários ou isquemia crítica.

Contexto Educacional

A Doença Arterial Periférica (DAP) é uma manifestação da aterosclerose sistêmica, frequentemente associada a tabagismo e hipertensão. O Índice Tornozelo-Braço (ITB) < 0,90 confirma o diagnóstico. O caso clínico apresenta um paciente com claudicação clássica e ITB reduzido, indicando doença infra-inguinal (ausência de pulsos poplíteos e distais).\n\nO manejo inicial deve ser conservador, visando o controle rigoroso dos fatores de risco: cessação do tabagismo, controle da pressão arterial e uso de estatinas de alta intensidade para atingir metas de LDL agressivas. A revascularização só é considerada se houver isquemia crítica (dor de repouso, lesões tróficas) ou se a claudicação for incapacitante e refratária ao tratamento clínico bem conduzido.

Perguntas Frequentes

Qual o papel do exercício supervisionado na DAP?

O exercício supervisionado é a terapia de primeira linha para melhorar a distância de caminhada em pacientes com claudicação intermitente. Ele promove a angiogênese colateral, melhora a função endotelial e a eficiência metabólica muscular. O protocolo ideal envolve caminhadas até o limiar da dor, pelo menos 3 vezes por semana, por no mínimo 3 a 6 meses.

Por que usar estatinas e antiagregantes na claudicação?

Pacientes com DAP têm alto risco de eventos cardiovasculares maiores (IAM e AVC). As estatinas de alta potência estabilizam as placas ateroscleróticas e reduzem a mortalidade, além de poderem melhorar a distância de caminhada. A antiagregação plaquetária (Aspirina ou Clopidogrel) é essencial para prevenir eventos isquêmicos sistêmicos, embora não trate diretamente a dor na perna.

Quando o Cilostazol deve ser prescrito?

O Cilostazol é um inibidor da fosfodiesterase III com propriedades vasodilatadoras e antiagregantes. É indicado para pacientes com claudicação intermitente que não tiveram melhora satisfatória apenas com exercícios e modificação de fatores de risco. É contraindicado em pacientes com insuficiência cardíaca de qualquer gravidade.

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