Doença Arterial Periférica: Diagnóstico e Sinais Clínicos

HC ICC - Hospital do Câncer - Instituto do Câncer do Ceará — Prova 2025

Enunciado

Mulher, 66 anos, obesa, portadora de diabetes mellitus, procura atendimento por estar sentindo dores nas panturrilhas, principalmente a esquerda. Há meses vem percebendo que tinha “cansaço” nas pernas ao caminhar nas distancias habituais. Há dois meses vem sentindo dores e algumas vezes câimbras ao fazer exercício. As dores melhoram com o repouso. Não identificou relação com a postura. Nega dor lombar. Ao exame apresenta temperatura da perna esquerda menor que a da direita, e diminuição da amplitude dos pulsos periféricos na tibial posterior e pediosa esquerdas. Com esse quadro, qual é a hipótese diagnóstica principal?

Alternativas

  1. A) Insuficiência vascular periférica.
  2. B) Estenose espinhal.
  3. C) Congestão venosa.
  4. D) Lombociatalgia.

Pérola Clínica

Claudicação intermitente + pulsos ↓ + temperatura ↓ em membro = Doença Arterial Periférica (DAP).

Resumo-Chave

A claudicação intermitente é o sintoma clássico da Doença Arterial Periférica (DAP), caracterizada por dor muscular induzida por exercício e aliviada pelo repouso. Fatores de risco como diabetes e obesidade, associados a achados de exame físico como diminuição de pulsos e temperatura reduzida no membro afetado, reforçam o diagnóstico de DAP.

Contexto Educacional

A Doença Arterial Periférica (DAP) é uma manifestação comum da aterosclerose sistêmica, caracterizada pelo estreitamento das artérias que irrigam os membros, mais frequentemente os inferiores. Sua prevalência aumenta com a idade e é significativamente maior em pacientes com fatores de risco cardiovasculares, como diabetes mellitus, hipertensão, dislipidemia, tabagismo e obesidade. A DAP é um marcador de risco para eventos cardiovasculares maiores, como infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral. O sintoma cardinal da DAP é a claudicação intermitente, uma dor muscular (cãibra, peso, cansaço) que surge com o exercício e melhora com o repouso. A localização da dor geralmente indica o nível da obstrução arterial. Ao exame físico, são esperados achados como diminuição ou ausência de pulsos periféricos (pedioso, tibial posterior, poplíteo, femoral), sopros arteriais, diminuição da temperatura do membro, palidez à elevação e rubor à dependência, além de alterações tróficas cutâneas. O diagnóstico é inicialmente clínico, complementado pelo índice tornozelo-braquial (ITB), que é a relação entre a pressão arterial sistólica do tornozelo e do braço. Um ITB < 0,9 é diagnóstico de DAP. O tratamento envolve controle rigoroso dos fatores de risco, cessação do tabagismo, exercícios físicos supervisionados, farmacoterapia (antiagregantes plaquetários, cilostazol) e, em casos selecionados, revascularização endovascular ou cirúrgica.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas clássicos da claudicação intermitente na Doença Arterial Periférica?

A claudicação intermitente se manifesta como dor, cãibra ou cansaço muscular nas pernas, que ocorre durante o exercício e é aliviada pelo repouso, tipicamente na panturrilha, refletindo isquemia muscular.

Quais achados no exame físico são sugestivos de Doença Arterial Periférica?

Achados incluem diminuição ou ausência de pulsos periféricos, temperatura reduzida no membro afetado, palidez à elevação e rubor à dependência, além de alterações tróficas como pele brilhante, perda de pelos e unhas espessas.

Quais são os principais fatores de risco para o desenvolvimento da Doença Arterial Periférica?

Os principais fatores de risco são diabetes mellitus, tabagismo, hipertensão arterial sistêmica, dislipidemia, idade avançada e obesidade, que contribuem para o processo aterosclerótico.

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