Doença Arterial Periférica: Exame Físico e Manobra de Buerger

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2020

Enunciado

Homem, 69 anos, tabagista 90 maços/ano e hipertenso, apresenta dor localizada em panturrilha esquerda, que surge ao deambular e cessa em repouso. Sobre o exame físico a ser realizado pelo médico para proceder-se o diagnóstico da afecção do paciente, é correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) a manobra de Buerger consiste na presença de palidez após elevação do membro a 45 graus.
  2. B) a ausência de pulsos palpáveis é suficiente para o diagnóstico da doença arterial periférica.
  3. C) a onicodistrofia apenas pode ser observada nos casos de oclusão arterial aguda.
  4. D) a avaliação deve ser restrita a palpação de pulsos em ambos os membros inferiores.

Pérola Clínica

Claudicação intermitente + fatores de risco vascular → suspeitar DAP; Manobra de Buerger avalia isquemia.

Resumo-Chave

A manobra de Buerger é um teste semiológico importante para avaliar a isquemia em membros inferiores, caracterizada pela palidez do membro após elevação e rubor reativo ao abaixar. A ausência de pulsos é um sinal forte, mas o diagnóstico de DAP é clínico e complementado por exames como o ITB.

Contexto Educacional

A Doença Arterial Periférica (DAP) é uma condição comum, especialmente em idosos com fatores de risco como tabagismo, hipertensão e diabetes. Caracteriza-se pela obstrução das artérias que irrigam os membros, mais frequentemente os inferiores, levando à isquemia tecidual. A claudicação intermitente, dor na panturrilha que surge ao caminhar e cessa com o repouso, é o sintoma clássico e um marcador de risco cardiovascular. O diagnóstico da DAP é primariamente clínico, baseado na história e no exame físico. A palpação dos pulsos periféricos (femoral, poplíteo, tibial posterior e pedioso) é fundamental, mas sua ausência isolada não é suficiente para o diagnóstico definitivo. A manobra de Buerger, que avalia a palidez do membro à elevação, é um teste semiológico valioso para identificar isquemia. Outros achados incluem alterações tróficas da pele (fria, pálida, atrófica, perda de pelos, onicodistrofia) e, em casos graves, úlceras isquêmicas. A confirmação diagnóstica e a avaliação da gravidade são frequentemente realizadas com o Índice Tornozelo-Braquial (ITB), um exame não invasivo e de baixo custo. O tratamento envolve controle dos fatores de risco, exercícios físicos, medicamentos antiplaquetários e, em casos selecionados, revascularização. É crucial que o residente domine o exame físico vascular para identificar precocemente a DAP e iniciar o manejo adequado.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clássicos da Doença Arterial Periférica (DAP) no exame físico?

Os sinais incluem claudicação intermitente, ausência ou diminuição de pulsos periféricos, alterações tróficas (pele fria, pálida, perda de pelos, onicodistrofia) e, em casos avançados, dor em repouso e úlceras isquêmicas.

Como a manobra de Buerger auxilia no diagnóstico da isquemia em membros inferiores?

A manobra de Buerger consiste em elevar o membro inferior a 45 graus por 1-2 minutos. A presença de palidez significativa indica isquemia arterial, pois o fluxo sanguíneo é insuficiente para manter a perfusão contra a gravidade.

Qual a importância do Índice Tornozelo-Braquial (ITB) na avaliação da DAP?

O ITB é um método não invasivo e sensível para o diagnóstico de DAP, calculado pela razão entre a pressão arterial sistólica do tornozelo e a do braço. Um ITB < 0,9 é diagnóstico de DAP.

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