Doença Arterial Periférica: Diagnóstico e Manejo Clínico

SMS-SP - Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo — Prova 2024

Enunciado

Um paciente de 65 anos de idade procurou atendimento médico com queixa de claudicação intermitente e dor nas pernas durante caminhadas. Ele relatou histórico de tabagismo e hipertensão arterial. Ao exame físico, foram observados assimetria da temperatura e coloração da pele nas pernas, além de pulsos femorais ausentes. Os sinais vitais encontram-se normais. Foi feita uma angiografia por tomografia computadorizada, que revelou estenoses significativas nas artérias femorais e poplíteas. A respeito do caso clínico apresentado, assinale a alternativa que corresponde ao diagnóstico mais provável e à abordagem terapêutica mais indicada.

Alternativas

  1. A) Síndrome de compartimento eletroforético. Tratar com administração de analgésicos e repouso.
  2. B) Doença de Buerger. Iniciar terapia com vasodilatadores periféricos.
  3. C) Doença arterial periférica obliterativa aterosclerótica. Iniciar terapia antiplaquetária e considerar angioplastia ou revascularização cirúrgica.
  4. D) Linfangite aguda. Iniciar terapia com antibióticos de amplo espectro.
  5. E) Síndrome de Raynaud. Iniciar bloqueadores alfa para controle dos espasmos vasculares.

Pérola Clínica

Claudicação + pulsos ausentes + fatores de risco CV + estenose arterial = DAP aterosclerótica.

Resumo-Chave

O quadro clínico de claudicação intermitente, pulsos ausentes e fatores de risco como tabagismo e hipertensão, somado aos achados da angiografia, é altamente sugestivo de Doença Arterial Periférica (DAP) de etiologia aterosclerótica, que requer terapia antiplaquetária e, dependendo da gravidade, intervenção.

Contexto Educacional

A Doença Arterial Periférica (DAP) é uma manifestação comum da aterosclerose sistêmica, caracterizada pela obstrução progressiva das artérias que irrigam os membros, mais frequentemente os inferiores. Sua epidemiologia está intimamente ligada aos fatores de risco cardiovasculares, como tabagismo, hipertensão arterial, diabetes mellitus e dislipidemia, sendo mais prevalente em idosos. A DAP é clinicamente importante não apenas pela morbidade local (dor, úlceras, amputações), mas também por ser um marcador de doença aterosclerótica em outros leitos vasculares, aumentando o risco de eventos coronarianos e cerebrovasculares. A fisiopatologia da DAP envolve o acúmulo de placas ateroscleróticas nas paredes arteriais, levando à estenose e eventual oclusão do lúmen. O diagnóstico é suspeitado pela história clínica de claudicação intermitente (dor muscular induzida por exercício e aliviada pelo repouso) e confirmado pelo exame físico (pulsos diminuídos ou ausentes, sopros, alterações tróficas) e exames complementares, como o índice tornozelo-braquial (ITB) e a angiografia (por TC, RM ou convencional). A angiografia por tomografia computadorizada é particularmente útil para delinear a anatomia das estenoses. O tratamento da DAP visa aliviar os sintomas, prevenir a progressão da doença e reduzir o risco cardiovascular global. Inclui modificação do estilo de vida (cessação do tabagismo, exercícios supervisionados), controle rigoroso dos fatores de risco (anti-hipertensivos, hipolipemiantes, controle glicêmico) e terapia farmacológica (antiplaquetários como aspirina ou clopidogrel). Em casos de claudicação limitante ou isquemia crítica, procedimentos de revascularização (angioplastia com stent ou cirurgia de bypass) podem ser indicados para restaurar o fluxo sanguíneo.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da Doença Arterial Periférica?

Os sintomas clássicos incluem claudicação intermitente (dor nas pernas ao caminhar que alivia com repouso), dor em repouso em casos avançados, e alterações tróficas na pele, como assimetria de temperatura e coloração.

Quais fatores de risco estão associados à Doença Arterial Periférica?

Os principais fatores de risco são tabagismo, diabetes mellitus, hipertensão arterial, dislipidemia e idade avançada, todos contribuindo para o desenvolvimento da aterosclerose.

Qual a abordagem terapêutica inicial para a Doença Arterial Periférica?

A abordagem inicial inclui controle dos fatores de risco, cessação do tabagismo, exercícios físicos, terapia antiplaquetária (ex: aspirina) e, em casos selecionados, revascularização (angioplastia ou cirurgia).

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo