Aterosclerose Periférica: Fatores de Risco e Manejo

UFPR/HC - Complexo Hospital de Clínicas da UFPR (PR) — Prova 2015

Enunciado

Em relação ao paciente com aterosclerose periférica e insuficiência arterial crônica dos MMII, considere as seguintes afirmativas: 1. As drogas que inibem a função plaquetária são utilizadas para diminuir a síndrome de reperfusão após a reconstrução arterial. 2. O tratamento clínico é preconizado preferencialmente nas fases I e II da classificação de Fontaine, na doença arterial crônica dos MMII. 3. O uso de antiplaquetários na doença arterial crônica não diminui a incidência de eventos cardiovasculares. 4. O fumo tem efeito aterogênico, vasoconstritor e trombogênico. 5. A proteção contra o frio é a medida mais eficaz para aumentar o fluxo sanguíneo no membro inferior com isquemia crônica. Assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Somente as afirmativas 1, 3 e 4 são verdadeiras. 
  2. B) Somente as afirmativas 4 e 5 são verdadeiras. 
  3. C) Somente as afirmativas 2 e 4 são verdadeiras. 
  4. D) Somente as afirmativas 1, 2, 3 e 5 são verdadeiras. 
  5. E) Somente as afirmativas 2 e 3 são verdadeiras. 

Pérola Clínica

Fumo é aterogênico/vasoconstritor/trombogênico. Antiplaquetários são cruciais na DAP para reduzir eventos CV.

Resumo-Chave

O tabagismo é um fator de risco primordial para a aterosclerose periférica, com efeitos aterogênicos, vasoconstritores e trombogênicos. Embora a questão apresente uma afirmativa controversa sobre antiplaquetários, na prática clínica, eles são essenciais para a redução de eventos cardiovasculares em pacientes com doença arterial crônica. O tratamento clínico é a abordagem inicial para as fases I e II de Fontaine.

Contexto Educacional

A aterosclerose periférica (DAP) é uma manifestação da aterosclerose sistêmica que afeta as artérias dos membros, mais comumente os inferiores. Sua prevalência aumenta com a idade e é um marcador de risco cardiovascular elevado. Os principais fatores de risco incluem tabagismo, diabetes mellitus, hipertensão arterial, dislipidemia e idade avançada. A doença pode variar de assintomática (Fontaine I) a claudicação intermitente (Fontaine II), dor em repouso (Fontaine III) e lesões tróficas/gangrena (Fontaine IV). A fisiopatologia envolve a formação de placas ateroscleróticas que estreitam o lúmen arterial, reduzindo o fluxo sanguíneo e causando isquemia tecidual. O tabagismo é particularmente deletério, pois promove disfunção endotelial, inflamação, vasoconstrição e um estado de hipercoagulabilidade. O diagnóstico é feito pela história clínica, exame físico (palpação de pulsos, sopros, avaliação de trofismo) e exames complementares como o índice tornozelo-braquial (ITB) e ultrassonografia Doppler. O tratamento da DAP é multifacetado, visando o controle dos fatores de risco, alívio dos sintomas e prevenção de eventos cardiovasculares. Isso inclui cessação do tabagismo, controle rigoroso da glicemia, pressão arterial e lipídios, programa de exercícios supervisionados e terapia antiplaquetária (aspirina ou clopidogrel). A revascularização (endovascular ou cirúrgica) é reservada para casos de claudicação limitante refratária ao tratamento clínico ou isquemia crítica dos membros.

Perguntas Frequentes

Qual o papel do tabagismo na doença arterial periférica?

O tabagismo é o fator de risco modificável mais importante, promovendo aterogênese, vasoconstrição e um estado protrombótico, acelerando a progressão da doença e aumentando o risco de eventos.

Em quais fases da classificação de Fontaine o tratamento clínico é preferencial?

O tratamento clínico, que inclui controle de fatores de risco, exercícios e medicamentos, é preferencialmente indicado nas fases I (assintomática) e II (claudicação intermitente) da classificação de Fontaine.

Os antiplaquetários são eficazes na doença arterial periférica?

Sim, os antiplaquetários (como aspirina ou clopidogrel) são altamente eficazes e recomendados para pacientes com doença arterial periférica sintomática ou assintomática, pois reduzem significativamente o risco de infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral e morte cardiovascular.

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