SMS Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC) — Prova 2020
Nelson, 68 anos, procura seu médico com queixa de dor nas pernas que vem piorando nos últimos meses. Ele tem hipertensão e diabetes controlados, é tabagista (40 maços/ano) e seu risco cardiovascular é maior que 20%. Está em uso regular dos medicamentos prescritos, incluindo estatina, sendo a única queixa a dor nas pernas, pior à direita. Afirma que percebeu a dor há cerca de 3 meses, depois de romaria de 8 km, e desde então percebe que a dor ocorre mesmo em caminhadas mais curtas, sempre aliviando com repouso. Nega dor quando está parado. Acredita que tem ""problema de veias"" e inclusive já tentou usar uma ""meia apertada"" até o joelho, mas sem qualquer melhora. Como a dor está prejudicando suas atividades diárias, resolveu procurar o médico. No exame físico, a única alteração é o pulso tibial posterior e pedioso bastante diminuídos em membro inferior direito. Com as informações dadas no texto, sobre a conduta nessa consulta, além de abordar o tabagismo, podemos afirmar que:
Claudicação intermitente + pulsos ↓ + fatores risco CV → DAOP; exercício supervisionado é 1ª linha de tratamento não farmacológico.
O paciente apresenta um quadro clássico de claudicação intermitente, com dor nas pernas que piora com o esforço e alivia com o repouso, associado a fatores de risco cardiovascular (tabagismo, hipertensão, diabetes) e pulsos diminuídos. Isso sugere fortemente Doença Arterial Obstrutiva Periférica (DAOP). O tratamento inicial e mais eficaz para a claudicação é um programa de exercício supervisionado.
A Doença Arterial Obstrutiva Periférica (DAOP) é uma manifestação comum da aterosclerose sistêmica, caracterizada pela obstrução progressiva das artérias dos membros inferiores. A claudicação intermitente, dor muscular induzida pelo exercício e aliviada pelo repouso, é o sintoma mais clássico. Pacientes com DAOP têm um risco cardiovascular aumentado, e o tabagismo é o fator de risco mais potente para o desenvolvimento e progressão da doença. O diagnóstico da DAOP é clínico, baseado na história e exame físico (pulsos diminuídos, sopros, alterações tróficas), e confirmado pelo Índice Tornozelo-Braquial (ITB). A conduta inicial para a claudicação intermitente foca em modificações do estilo de vida, sendo o programa de exercício supervisionado a intervenção não farmacológica mais eficaz. Este programa melhora a capacidade funcional, a distância de caminhada e a qualidade de vida, através de mecanismos como o desenvolvimento de circulação colateral e melhora da função endotelial. Além do exercício, é crucial o controle agressivo dos fatores de risco (cessação do tabagismo, controle de diabetes, hipertensão e dislipidemia) e a terapia antiplaquetária (geralmente com AAS) para reduzir eventos cardiovasculares. O cilostazol pode ser considerado para melhorar a claudicação em pacientes que não respondem ao exercício, mas não substitui a reabilitação. Meias de compressão não são indicadas para DAOP e podem até ser prejudiciais em casos de isquemia grave.
O tratamento inicial mais eficaz para a claudicação intermitente é um programa de exercício supervisionado. Este programa, geralmente de 30 a 45 minutos por sessão, 3 vezes por semana, por pelo menos 12 semanas, melhora significativamente a distância de caminhada e a qualidade de vida.
Os principais fatores de risco para DAOP incluem tabagismo (o mais importante), diabetes mellitus, hipertensão arterial, dislipidemia e idade avançada. O controle rigoroso desses fatores é fundamental para retardar a progressão da doença.
A claudicação intermitente é caracterizada por dor muscular que surge com o exercício e alivia com o repouso, tipicamente na panturrilha, coxa ou glúteo. Diferencia-se de dores venosas (que pioram ao ficar em pé e melhoram com elevação) e neuropáticas (que podem ser contínuas ou ter características de queimação/formigamento).
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