Pé Diabético e DAOP: Prevalência e Avaliação Essencial

UFCSPA - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (RS) — Prova 2025

Enunciado

Em relação à doença arterial obstrutiva periférica e ao pé diabético, assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas

  1. A) Nos pacientes com diabetes mellitus, as amputações dos membros inferiores não costumam ser precedidas por úlceras no pé.
  2. B) Aproximadamente a metade dos pacientes diabéticos com úlcera no pé tem doença arterial obstrutiva periférica associada.
  3. C) Para a avaliação fisiológica da perfusão da extremidade, são necessários testes invasivos, como a angiografia.
  4. D) Devido à doença obstrutiva arterial difusa e às extensas calcificações em artérias de pequeno calibre da perna e do pé, os procedimentos endovasculares não se mostraram efetivos na revascularização destes pacientes.

Pérola Clínica

~50% dos diabéticos com úlcera no pé têm DAOP associada → Avaliar perfusão é essencial.

Resumo-Chave

A doença arterial obstrutiva periférica (DAOP) é uma comorbidade frequente e grave no pé diabético, contribuindo significativamente para a não cicatrização de úlceras e o risco de amputações. A avaliação da perfusão é crucial para o manejo adequado.

Contexto Educacional

A doença arterial obstrutiva periférica (DAOP) é uma complicação macrovascular comum e grave do diabetes mellitus, afetando significativamente a morbidade e mortalidade desses pacientes. No contexto do pé diabético, a DAOP desempenha um papel crucial na patogênese das úlceras, na dificuldade de cicatrização e no risco elevado de amputações de membros inferiores. É estimado que aproximadamente metade dos pacientes diabéticos que desenvolvem úlceras no pé também apresentam DAOP associada, o que ressalta a necessidade de uma avaliação vascular abrangente. A fisiopatologia da DAOP em diabéticos difere da população geral, apresentando um padrão de doença mais distal, com envolvimento preferencial das artérias infrapoplíteas e do pé, além de calcificações arteriais mais extensas. Essa característica torna a avaliação da perfusão mais desafiadora, e testes como o índice tornozelo-braquial (ITB) podem ser falsamente elevados devido à calcificação da média. Nesses casos, a pressão do hálux ou a pletismografia são mais fidedignas. A angiografia, embora invasiva, é o padrão ouro para detalhar a anatomia vascular e planejar a revascularização. O manejo do pé diabético com DAOP exige uma abordagem multidisciplinar. A revascularização, seja por procedimentos endovasculares ou cirurgia aberta, é frequentemente necessária para melhorar a perfusão e permitir a cicatrização da úlcera, reduzindo o risco de amputação. Embora as calcificações possam dificultar, os procedimentos endovasculares têm se mostrado eficazes e são a primeira linha em muitos casos. A profilaxia de úlceras, o controle glicêmico rigoroso e o tratamento de infecções são pilares adicionais no cuidado desses pacientes.

Perguntas Frequentes

Qual a relação entre diabetes mellitus e doença arterial obstrutiva periférica?

O diabetes mellitus é um fator de risco importante para a DAOP, acelerando o processo aterosclerótico e levando a doença mais difusa e distal, com calcificações arteriais extensas, especialmente em artérias de pequeno e médio calibre.

Por que a avaliação da perfusão é crucial no pé diabético?

A avaliação da perfusão é crucial porque a isquemia é um fator determinante na cicatrização de úlceras e no risco de amputação. Métodos não invasivos como o índice tornozelo-braquial (ITB) e pressão do hálux são essenciais para triagem.

Quais são as principais causas de amputações em pacientes diabéticos?

As amputações em diabéticos são frequentemente precedidas por úlceras no pé, resultantes da combinação de neuropatia (perda de sensibilidade), doença arterial obstrutiva periférica (isquemia) e infecção, que dificultam a cicatrização e promovem a necrose tecidual.

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