Claudicação de Panturrilha: Diagnóstico e Localização DAOP

UEM - Hospital Universitário de Maringá (PR) — Prova 2020

Enunciado

Um paciente do sexo masculino, hipertenso e tabagista, de 72 anos de idade, vem ao ambulatório de cirurgia vascular com queixas de claudicação de panturrilha esquerda para 200 metros, há 6 meses. Ao exame físico apresenta pulsos femoral e poplíteo a direita palpáveis, e somente o pulso femoral esquerdo palpável, sendo os demais pulsos não palpáveis. Não tem lesões tróficas. Sobre essa caso podemos afirmar:

Alternativas

  1. A) Pela classificação de Fontaine o paciente encontra-se no estágio III
  2. B) A claudicação de panturrilha ocorre devido a oclusão da artéria femoral no canal dos adutores
  3. C) O tratamento clínico nesse estágio de obstrução arterial não traz resultados satisfatórios
  4. D) O primeiro exame de imagem a ser solicitado nesse caso é a arteriografia de membro inferior
  5. E) O tratamento cirúrgico mais indicado nesse caso é uma embolectomia

Pérola Clínica

Claudicação de panturrilha em DAOP → geralmente indica oclusão da artéria femoral superficial no canal dos adutores.

Resumo-Chave

A claudicação intermitente na panturrilha é o sintoma clássico de isquemia muscular distal, frequentemente causada por obstrução da artéria femoral superficial (AFS) no canal dos adutores (também conhecido como canal de Hunter). A classificação de Fontaine para claudicação intermitente (estágio II) é dividida em IIa (claudicação > 200m) e IIb (claudicação < 200m). O paciente está no estágio IIb. O tratamento clínico é fundamental e eficaz nesse estágio.

Contexto Educacional

A Doença Arterial Obstrutiva Periférica (DAOP) é uma manifestação comum da aterosclerose sistêmica, afetando principalmente os membros inferiores. Pacientes idosos, hipertensos e tabagistas, como o descrito no caso, apresentam alto risco para o desenvolvimento da DAOP. A claudicação intermitente, caracterizada por dor muscular induzida pelo exercício e aliviada pelo repouso, é o sintoma clássico e reflete a isquemia muscular distal à obstrução arterial. A localização da dor na claudicação intermitente frequentemente indica o segmento arterial acometido. A claudicação na panturrilha é classicamente associada à oclusão da artéria femoral superficial, especialmente no canal dos adutores (canal de Hunter), que é um local comum de estenose aterosclerótica. A classificação de Fontaine é amplamente utilizada para estadiar a gravidade da DAOP, sendo o estágio II (claudicação intermitente) o que se aplica ao paciente do caso, especificamente IIb (claudicação para menos de 200 metros). O manejo da DAOP com claudicação intermitente envolve uma abordagem multifacetada. O tratamento clínico é a pedra angular, incluindo cessação do tabagismo, controle rigoroso da pressão arterial e diabetes, uso de antiagregantes plaquetários e um programa de exercícios supervisionados. A arteriografia, embora seja um exame de imagem detalhado, não é o primeiro a ser solicitado; o Índice Tornozelo-Braquial (ITB) e o ultrassom Doppler arterial são mais apropriados para o diagnóstico inicial e planejamento. A embolectomia é mais indicada para embolias agudas, não para doença aterosclerótica crônica.

Perguntas Frequentes

Qual a classificação de Fontaine para a Doença Arterial Obstrutiva Periférica?

A classificação de Fontaine divide a DAOP em: Estágio I (assintomático), Estágio II (claudicação intermitente, subdividido em IIa >200m e IIb <200m), Estágio III (dor em repouso) e Estágio IV (lesões tróficas/gangrena).

Qual o primeiro exame a ser solicitado para DAOP?

O primeiro exame a ser solicitado é o Índice Tornozelo-Braquial (ITB), que é simples, não invasivo e altamente sensível e específico para o diagnóstico de DAOP. Exames de imagem como o ultrassom Doppler arterial são úteis para localizar e quantificar a estenose.

Qual o tratamento inicial para claudicação intermitente?

O tratamento inicial é clínico, focado na modificação dos fatores de risco (cessação do tabagismo, controle de HAS e DM), exercícios físicos supervisionados (caminhada) e farmacoterapia (antiagregantes plaquetários como aspirina ou clopidogrel, e cilostazol para melhora da claudicação).

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