DAOP Avançada: Diagnóstico e Revascularização em Isquemia Crítica

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025

Enunciado

Homem de 65 anos queixa-se de claudicação intermitente há 6 meses, com piora da dor em membro inferior direito há 25 dias, ao caminhar cerca de 30 metros e aliviada com repouso. AP: ex-tabagista há 10 anos, DM2 em uso de metformina. Exame físico: pulsos femorais presentes bilateralmente, ausência de pulsos poplíteos, tibiais posteriores e tibiais anteriores bilateralmente.Em face do exposto, a conduta deve ser:

Alternativas

  1. A) angioplastia com colocação de stent na artéria ilíaca comum direita.
  2. B) cilostazol e encaminhamento para reabilitação cardiovascular.
  3. C) angiografia do MID e programação de revascularização cirúrgica.
  4. D) analgésicos para controle da dor durante caminhadas supervisionadas.

Pérola Clínica

Claudicação grave (curta distância, dor em repouso) + pulsos ausentes → suspeitar isquemia crítica, indicar angiografia e revascularização.

Resumo-Chave

A claudicação intermitente que piora rapidamente, com dor a curtas distâncias e ausência de múltiplos pulsos distais, sugere doença arterial obstrutiva periférica (DAOP) avançada, possivelmente isquemia crítica. Nesses casos, a investigação anatômica com angiografia é essencial para planejar uma revascularização, que pode ser cirúrgica ou endovascular.

Contexto Educacional

A doença arterial obstrutiva periférica (DAOP) é uma manifestação comum da aterosclerose sistêmica, caracterizada pela obstrução do fluxo sanguíneo nas artérias dos membros, mais frequentemente nos inferiores. Fatores de risco incluem tabagismo, diabetes mellitus, hipertensão e dislipidemia. A claudicação intermitente, dor muscular induzida pelo exercício e aliviada pelo repouso, é o sintoma clássico. A progressão da doença pode levar à isquemia crítica de membro, manifestada por dor em repouso, úlceras tróficas ou gangrena, com alto risco de amputação. O diagnóstico da DAOP é feito pela história clínica, exame físico (avaliação de pulsos, sopros, trofismo) e exames complementares como o índice tornozelo-braquial (ITB). Em casos de claudicação grave ou isquemia crítica, a avaliação anatômica detalhada é essencial. A angiografia (por tomografia, ressonância ou cateterismo) é o método de escolha para mapear as lesões obstrutivas e guiar o planejamento terapêutico. O tratamento da DAOP varia desde medidas clínicas (controle de fatores de risco, exercícios, cilostazol para claudicação leve-moderada) até intervenções de revascularização. Em pacientes com isquemia crítica de membro, a revascularização é imperativa para aliviar a dor, promover a cicatrização de feridas e prevenir a amputação. A escolha entre revascularização endovascular (angioplastia com ou sem stent) e cirúrgica (pontes de safena ou sintéticas) depende da localização, extensão e características das lesões, bem como das condições clínicas do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta de isquemia crítica de membro em DAOP?

Sinais de isquemia crítica incluem dor em repouso, úlceras tróficas ou gangrena, e claudicação a distâncias muito curtas (<50 metros), indicando risco iminente de perda do membro.

Qual o papel da angiografia no diagnóstico e tratamento da DAOP?

A angiografia é o padrão-ouro para visualizar a anatomia vascular, identificar o local e a extensão das estenoses ou oclusões, sendo crucial para planejar a estratégia de revascularização (endovascular ou cirúrgica).

Quando a revascularização é indicada na doença arterial obstrutiva periférica?

A revascularização é indicada em casos de claudicação limitante que não responde ao tratamento clínico, dor em repouso, úlceras não cicatrizantes ou gangrena (isquemia crítica de membro), visando restaurar o fluxo sanguíneo e salvar o membro.

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