SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2022
Homem de 64 anos, fumante, obeso (grau I), DM de longa data e hipertenso, queixas de dor e fadiga nos membros inferiores ao deambular, principalmente à esquerda. Atualmente, refere piora com bastante limitação de caminhada e dor até em repouso no pé e panturrilha esquerda alternando com dormência da região. Qual deve ser o próximo passo para esse paciente?
DAOP com dor em repouso e dormência → Isquemia crítica de membro → Investigação vascular por imagem.
Paciente com múltiplos fatores de risco cardiovascular e sintomas de claudicação intermitente que evoluem para dor em repouso e dormência sugere isquemia crítica de membro. O próximo passo é a investigação diagnóstica por imagem para localizar e caracterizar as lesões obstrutivas.
A Doença Arterial Obstrutiva Periférica (DAOP) é uma manifestação comum da aterosclerose sistêmica, caracterizada pela obstrução progressiva das artérias que irrigam os membros, mais frequentemente os inferiores. Pacientes com múltiplos fatores de risco cardiovascular, como tabagismo, diabetes, hipertensão e obesidade, têm maior predisposição. A claudicação intermitente, dor muscular induzida por exercício e aliviada pelo repouso, é o sintoma clássico. A progressão da DAOP pode levar à isquemia crítica de membro, definida pela presença de dor em repouso persistente, úlceras isquêmicas ou gangrena. A dor em repouso, especialmente noturna e que melhora com a dependência do membro, é um sinal de gravidade, indicando suprimento sanguíneo insuficiente mesmo para as necessidades metabólicas básicas. A dormência também sugere comprometimento neurológico isquêmico. Diante da suspeita de isquemia crítica de membro, o próximo passo diagnóstico é a avaliação por imagem da vasculatura. A angioressonância (Angio-RM) ou angiotomografia (Angio-TC) são exames não invasivos que fornecem detalhes anatômicos precisos das artérias, permitindo localizar as estenoses ou oclusões e planejar a melhor estratégia terapêutica, que pode incluir revascularização endovascular (stent) ou cirúrgica (bypass), ou até mesmo amputação em casos avançados e sem possibilidade de revascularização.
Os principais fatores de risco para DAOP incluem tabagismo, diabetes mellitus, hipertensão arterial sistêmica, dislipidemia, idade avançada e obesidade. O paciente do caso apresenta vários desses fatores.
A classificação de Fontaine divide a DAOP em: I (assintomático), IIa (claudicação leve), IIb (claudicação moderada a grave), III (dor em repouso) e IV (úlceras ou gangrena). O paciente do caso está no estágio III.
Esses exames de imagem não invasivos permitem visualizar a anatomia vascular, identificar a localização, extensão e gravidade das lesões obstrutivas, sendo fundamentais para planejar a estratégia de revascularização, se indicada.
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